segunda-feira, 25 de março de 2013

A língua da bolita


A língua da bolita

As verdas ou as brinca? Boco ou arraia? Boco com o calcanhar ou arraia com o indicador? Boco, Então pucha o traço para marcar, De traz do boco é o remeço,  O mais próximo da linha é o primeiro a começar, Se tocar na bolita volta todo mundo, Vale muds, trocs, limps ou palms? Vale mas se usar tuas aça vou usar minhas olho-de-gato, Deixa eu te mostrar minhas açinha, e agora ainda vai querer trocs?

terça-feira, 5 de março de 2013

Filosofia de Banheiro Parte 1: A vida é curta, portanto curta.


Filosofia de Banheiro
Parte 1: A vida é curta, portanto curta!

Título meio forte esse para um artigo tão simples que tende a se tornar complexo conforme vai sendo aprofundado.

Filosofia de banheiro é para mim a conceitualização de um monte de racionalizações que são aproveitáveis para os belos momentos de reflexão naquele local mais privado. Formando um bolo de pensamentos entranhados em muitas das conversas do dia a dia, indo do mais inteligente para as prosas sem fundamentos. Encontramos essas reflexões constantemente deixando-se escapar boca a fora, estando essas sempre na ponta língua como a resposta mais curta, algumas de extrema sensatez e tantas outras de suprema idiotice, as vezes presente por horas nos assuntos sóbrios indo até as profundas e persistentes conversas dos bêbados das mesas de bar. Com certeza estas se encontram presente por serem de total domínio de qualquer indivíduo, o arcabouço mínimo de qualquer filósofo de bar.
Uma das quais por muitas vezes é dita assim tanto quanto é ouvidas deve estar no topo das filosofias de banheiro, cruzando sempre os extremos de sua premissa torna-se esta por sua vez estúpida e até leviana. Dominantemente presente como filosofia de vida e irresponsável quanto aos fundamentos de sua fascinante premissa a filosofia 'Curta a vida por que ela é curta' se encaixa perfeitamente como filosofia de banheiro e até merece um lugar de destaque em qualquer texto, muitas digressões podem ser feitas a partir dessa que acredito eu, poderiam encher estantes com o troféu joinha de capciosidade e irresponsabilidade, porém como qualquer outra frase seus lados positivos não podem ser omitidos.
Impulso de adolescente e filosofia tão aventureira quanto, admito de forma prolixa que não entendo o que esta frase quer dizer como um todo sem antes analisar toda a série de evento ao qual ela está relacionada, se é esta simplesmente uma frase boa ou má vai depender inteiramente de sua aplicação e do seu motivo de expressão. Como explicação para impulso de viver, dentro da cabeça de cada indivíduo este pensamento parece tomar diversas formas e gerar por sua vez ideias totalmente diferentes. Parecer e ser são coisas totalmente diferentes, em suma parece que esta filosofia se aplica muito bem a todas as idades e momentos possíveis da vida, desde a explicação para o sarrinho com amigos, até como explicação aos meios inusitados de viver a vida.
Na adolescência esta filosofia serve como justificativa para desculpar todo o tipo de estupides cometida, na idade mais avançada como aquela vivida e experimentada pelos pais, esta frase serve como intimidação ao adolescente acerca dos riscos que ele está correndo, porém como a experiencia mostra esses avisos não serve lá para muitas coisas. Temos até uma aplicação espiritual dessa frase, ao budista serve esta como impulso para viver uma vida de extrema meditação, podemos também ter exemplo partindo do pensamento politico, ao anarquista serve esta como método de convencer a si mesmo que é possível negar as responsabilidades existentes dentro de uma sociedade cada vez mais complexa.
Raramente dita ou ouvida dentro de uma racionalização útil; Na construção do senso comum(iremos analisar mais adiante). A vida é curta, realmente e isso é inegável, até mesmo o mais afásico de todos os escritores tem compromisso moral de reconhece essa verdade, e os traços desse pensamento podem ser vistas por todas as etapas da vida, do início ao fim. A infância é marcada por eventos que determinam as condições emocionais da adolescência, assim com esta determina as características emocionais e o comportamento do indivíduo que consegue chegar a idade adulta(muitos). Passando(se tiver sorte), da infância pela velhice rumando a uma morte 'natural', todos os tipos de eventos acontecem em suas múltiplas possibilidades. Das crianças que nascem em lares completos, com pais e mães, cercada por uma família acolhedora, uma educação do mais auto nível, aquelas das fotos de propaganda religiosas que estão a brincar rindo colhendo frutos em uma floresta pacifica, reconhecemos também que há aquelas incontáveis crianças que nascem em fundos de quintal, isso é se houver um para dar a luz.
Uma frase da vovó entra acredito eu perfeitamente nessa analise; A os que nascem para padre e os que nascem para padecer. Como resolver o problema da vovó? Há realmente os que nascem para padre? O que sobra aos que ficaram para padecer? O grande problema dessa filosofia da vovó seja talvez a sua grande insensibilidade acerca dos indivíduos, não esquecendo o detalhe católico do problema da vovó, porém ela expõe a verdade sem ao menos pestanejar, não que ela esteja a favor de cruzar os braços e padecer, até mesmo pela colocação dela indicar algo de total natureza submissa.
Colocar a realidade frente a frente com sua multifacetada e até injusta verdade, é reconhecer que existem casos tão distintos que poderiam definir a existência de pessoas vivendo em universos totalmente isolados, algo bem próximo dos pensamentos cristãos da minha vó sobre o céu e o inferno. O céu para ela é a definição de viver uma vida cômoda e farta, em um lar rodeado de pessoas para dar atenção ao menor sinal de carência afetiva, aptos a suprir a menor das necessidades, também podemos definir o que para a visão da minha vó seria o inferno como algo que já relatei em passagem anterior. Como se um passo ao lado ou até mesmo uma virada de pescoço não pudesse revelar a realidade alheia, você pode estar sentado em sua cadeira giratória perante seu computador comendo algo doce, ou aquela clássica bolacha de água e sal, crianças podem estar sendo acordadas abaixo do facão na África, muçulmanos podem estar sendo exterminados na faixa de gaza, uma daquelas famílias cujo pai é um estuprador que não encontrou nem sequer uma sacola plástica para violentar uma pobre menina na ainda selvagem África pode estar sendo criada agora, aquele tipo de família de uma pessoa só. A realidade que se encontra em total contraposição a vida do leitor, assim como a do escritor desse texto, é sensível a menor virada de pescoço, a verdade acerca da realidade pode ser perturbadora a todos porém é o que a vovó falou com uma mistura de pergunta sobre o que você fará para mudar, virar padre?
Parece que o texto perde o sentido quando mais uma vez desce aos problemas do mundo, inegáveis e aceitos, porém a intenção é justamente essa; tirar os fundamentos da frase da vida curta como meio de explicação as intransigências da sociedade. Baseado no fato de que a vida é curta, é muito mais fácil escapar de certas responsabilidades, para alguns ela é fácil demais para outros é extremamente brutal e até mesmo constrangedor, ligar a TV para assistir uma reportagem sobre uma menina grávida que foi violentamente estuprada para mim é somente assistir, para a moça que pelo menos sobreviveu será um trauma marcante, para o estuprador que até o memento em que escrevo este artigo se encontra foragido é apenas questão de alcançar um prazer a qualquer custo, mesmo que burlando o total bom senso senão todo o conceito de humanidade e dignidade pessoal. Aqueles tantos que assim como eu apenas assistem tal reportagem e a tantas outras, definitivamente podem sentir-se mal por não aceitar que algo tão desumano possa ser cometido por outra pessoa, que até então é tão normal e provavelmente dotado do mesmo critério de dor e de propriedades física e mental que eu ou o leitor.
Daqueles exemplos clássicos da boa família religiosa, com toda aquela felicidade que se espera que uma criança possa viver, como naqueles pequenos cartazes dos perturbadores e batedores de porta; Testemunhas de Jeová, podemos ter a visão real do quanto somos ambiciosos pela paz e sossego incluindo o direito ao terreno e a uma família própria, porém nem todos vivemos sobre a mesma face de justiça divina(se existe). Dos agraciados senão abençoados(se existe) filhos de Silas Malafaia, aos que são adotados por milícias e treinada aos absurdos das chacinas, este é o extremo. Do 'Viva a vida por que ela é curta' loucamente porque 'a vida é curta', porém vivendo bem em um cômodo apartamento, senão como um falecido amigo de infância; em cima de uma moto(morreu de acidente na mesma moto), ao 'Viva do viva a vida porque a vida é curta' fugindo ou matando dentro de uma milícia armada do Mali. Como disse George Carlin; 'Peguem suas malas garotos porque o trem da realidade vai partir'.
Uma frase de Anna Karenina de Liev Tolstoi se encaixa muito bem nessa crítica sobre a filosofia de banheiro: "Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira". Essa frase pode ser adaptada da seguinte forma:”Todos somos felizes e iguais. Cada um é infeliz a maneira”. Esse poderia ser um ensaio acerca do inconformismo, porém podemos fazer uma curta parada por aqui com enfase na grande frase de banheiro da valorização de uma vida curta. O que ou o quanto é necessário ter para ser feliz parece que dominou o assunto, porém para que possamos resgatá-lo valo apena fazer uma ressalva, com certeza a intenção da filosofia do curta a vida tem suas bases na busca da felicidade do indivíduo, como eu falei a felicidade é algo pessoal e político(como roupa velha, tá sempre mudando de emenda). O que é necessário ter, fazer ou adquirir para viver uma vida completa? Com certeza a particularidade na solução dessa questão responde por conta própria ao leitor o potencial tão negativo quanto imáculo da filosofia da vida curta, o que cada indivíduo fará para alcançar o nível de satisfação é algo que pode fugir até mesmo ao bom senso, enquanto a poucos o mínimo satisfaz aos outros muitos tantos é necessário lembrarmos de que impera mais uma vez outro ditado da vovó: “Para quem nasce com tudo, muito nunca é o suficiente”.
Voltando ao crítico da filosofia de banheiro, o que se conhece sobre as perspectivas desse ditado? Seu objetivo e aplicação é uma verdadeira incógnita, como uma forma de aplicação geral é objetivo desta a felicidade na aplicação de todos os meios possíveis, até mesmo os mais insensatos para satisfação pessoal, usando a esculpa de ter a vida curta, como naqueles filmes da seção da tarde em que um maluco descobre que tem um câncer, beija a chefe, xinga a família, faz um assalto, briga com a policia e entra num parque, até que em fim descobre que seu exame médico foi trocado. O que podemos definir de antemão é que temos um grande paradoxo por definirmos a utilidade de uma filosofia de vida como esta, de um lado queremos viver todos estados possíveis da vida(com exceção daquelas que nos trazem consequências adversas), de outro reconhecemos nossas responsabilidades morais e nossos deveres para com o sistema ao qual fazemos parte, o paradoxo está gerado em negar a existência de um desejo e uma obrigação que veemente caminham juntos, ou negar a ordem e enlouquecidamente querer fazer do desejo o impulso de viver, bem, se sua mãe for uma senadora de um estado qualquer, ai sim você pode. Afinal quebrar a ordem é nosso dom ou criar a ordem e nosso fascínio? Do ponto de vista histórico posso dizer que criar a nossa ordem é nosso dom, assim como é nosso dom quebrar a ordem alheia. Quem nunca quis fazer algo que supera-se o conceito social dos amigos ou conhecidos acerca de si mesmo? Eu acredito que em algum momento da vida o leitor quis ser reconhecido senão temido e respeitado por ter feito alguma coisa desafiadora, e da mesma forma deve ter ficado muito brabo após ter sido desafiado.
Apoiarmos nossas bases morais na realização de uma filosofia de vida é algo totalmente perigoso, afinal quem não reconhece seus direito de pegar um carro e cair com o pé na estrada? Porquanto quem não reconhece seus deveres para com a segurança alheia e a sua própria quando pega seu carro e bota na estrada? Por que desse paradoxo e como ele foi instituído? Queremos(acredito eu) ter a liberdade de enlouquecermos para que possamos fazer tudo o que queremos, como quisermos e quando tivermos vontade de fazê-lo, afinal todo postulado da filosofia de vida em questão é muito simples e curta; 'só se vive uma vez'. Não posso ser pretensioso e falar sobre felicidade como um um orientador religioso, somente eles podem, até mesmo porque isso exige uma certa qualidade que eu não possuo; querer parecer, até mesmo porque felicidade é a mais problemática de todas as palavras, porém podemos digredir um pouco sobre as facetas desse problema.
Admitir que é fácil ser feliz, assim como dizer as maneiras de sê-lo definiria o caráter desse artigo algo que toda literatura de alto ajuda que começa com o titulo de felicidade é: HIPOCRITA, primeiramente porque felicidade é algo totalmente pessoal, segundo literatura de autoajuda é pernicioso por ser um produto e definir objetos e objetivos específicos, e é isso que eles vendem a satisfação de poder dizer; 'eu quero, eu posso, eu vou, eu tenho, eu sou, eu, eu e eu'. Quando uma pessoa é criada em um ambiente em que o dinheiro está sempre em um estado de suspensão de experiencia, se é certo dizer algo assim pois ela vive em um presente tão indistinguível de valores morais quanto aquelas muitas outras que são criadas nos de extrema carência, traduzindo minha forma de pensar 'David Hume', não notamos de forma alguma o reflexo dos patrimônios(não generalizando) ou bens financeiros sobre os valores morais de cada indivíduo assim com não vemos seus efeitos(mais uma vez não generalizando) na realização da felicidade, o que notamos é que todas buscam de forma competitiva a si mesmo atender suas prórias necessidades e alcançar o que pode ser definido por excelência em sua qualidade de vida. Objetivos e metas são puramente pessoais, todos estamos buscando algo para alcançar a excelência nossa própria vida, o menino sem pai nem mãe e o menino com pai e com mãe, ambos buscam o melhor de si para si isso é a única coisa sobre felicidade que pode ser dito.
Sobre a busca pessoal é por felicidade dai pra frente começa haver confusão entre certos níveis de realização pessoal, até mesmo porque entra em questão algo como honestidade, humildade e o conceito humanitário de humanidade(alguns diriam religioso). Admito haver tal problema não como dicotomia filosófica mais como problema social, afinal não podemos definir o quanto um indivíduo pode ter ou limitar-se a adquirir. Nada pode ser feito a combater as ambições de posses de cada pessoa, afinal se quisermos comprar dois ou três carros é direito nosso, a única limitação que pode ser imposta aos ansiosos por acumular bens é limitar seus meios de aquisições. Parece estranho a primeira vista impor limites, porém sempre é bem vinda aquela velha malicia da vovó de enxergar as ações e suas reações, ninguém deve acumular bens de nenhuma forma que venha a lesar outros. Inventamos a religião(não somente uma mas várias) para abrandar corações e dar um pouco mais de ilusão do que a realidade permite, aqueles que acreditam que precisam de recompensas por serem bons assim como aqueles que esperam punições para os que são maus, porém inventamos o bom senso e um grande conjuntos de regras que podem ser aplicados dentro do mundo físico para conter atrás de grades aqueles que ousam burlar os limites invisíveis das leis assim como os limites visíveis de outros homens.
Assim como a felicidade essa filosofia de banheiro toma seu próprio rumo na consciência individual, porém em um âmbito mais complicado, essa toma seu próprio rumo na consciência social, criando a ordem e o direito de segurança aos bens de cada indivíduo. É cultura da própria sociedade explorar os medos da morte assim como o desconforto alheio pela perda de outros, pois é isso que também a sustenta em união, defendemos aos nossos assim como defendemos a nos mesmos, “a vida de um homem é incompleta, a menos ou até que ele tenha vivenciado o amor, a pobreza e a guerra”- Crhistopher Hitchens. Dentro de uma perspectiva altruísta essa filosofia é até certo ponto usada para minimizar a dor humana, afinal de contas a vida é curta demais para que toleremos também a dor e o sofrimento alheio. Não nego que essa filosofia não possua nenhuma aplicação útil e até de certa forma possa ser esta uma das bases para a formação cultural, senso comum e direitos humanos, afinal se houvesse em todos certeza de um depois(pós-morte) assim como é proferido pelos religiosos, todo sofrimento seria apenas etapa da existência, não havendo necessidade nenhuma de sessá-la, não havendo por fim necessidade de sociedade para acalantar e confortar a dor alheia, sobre a certeza de um pós-morte sabemos que somente as crianças é que ficarão para contar nossas histórias, assim como contamos a nós mesmos a de nossos antepassados.
Os olhos do número 57 continuavam abertos, a boca também aberta, seu rosto pequeno e contorcido numa expressão de agonia. Porém o que mais me impressionou foi a brancura de seu rosto. Ele estava pálido antes, mas agora pouco mais escuro que os lençóis. Enquanto olhava para aquele rosto minúsculo e retorcido, ocorreu-me que aquele resto repugnante de matéria que esperava para ser levado embora e ser jogado em cima de uma lousa em uma sala de dissecação era um exemplo de morte 'natural', uma coisa pela qual se reza na litania. Eis aí, pensei, o que te espera, daqui a vinte, trinta, quarenta anos, é assim que os sortudos morrem, os que vivem até a velhice. A gente quer viver, é claro; na realidade, só ficamos vivos em virtude do medo da morte, mas penso agora, como pensava então, que é melhor morrer violentamente e não velho demais. As pessoas falam dos horrores da guerra, mas que arma que o homem inventou que se aproxime em crueldade das doenças mais comuns? A morte 'natural', quase por definição, significa alguma coisa lenta, fedorenta e mal cheirosa.”, George Orwell – Como morrem os pobres – Now, nº 6, Novembro de 1946.