quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O mundo onde eu gostaria de viver

O mundo onde eu gostaria de viver




O mundo em que gostaria de viver é aquele onde as emoções são fortes, mas não destrutivas e onde, porque são aceitas, não conduzem a ilusões o próprio individuo ou seu próximo. Tal mundo deveria ainda admitir a amizade e o amor, a busca da arte e do saber. Não posso esperar satisfazer aqueles que desejam algo mais feroz.

Bertrand Russell– Human Society  in Ethics and Politics



Acerca do  Poder


“Em que mundo eu gostaria de viver?”. Acredito que essa pergunta toma vários rumos, seria esta de resposta mais simples em minha infância, ao que se mostra complexo em minha idade atual, de forma que se tornará mais simples novamente em minha velhice ao que posso ver no quadro geral. A visão temporal dessa pergunta é especialmente intrigante: “Ah se pudesse transformar o mundo aonde realmente viria a viver quando me tornasse adulto”, “A se pudesse mudar um pouco as atuais situações”. O “gostar de viver”, está conectado diretamente aos prazeres das grandes emoções, tais com amar e ser amado, louvar e ser louvado etc... Querer viver em um mundo conforme meu ‘desejo’, conhecemos alguma verdade senão as que nos levam as grandes emoção?
Há uma verdade oculta por entre as palavras do Russel logo no início do texto, a de que as mais ferozes das emoções estarão sempre entregues as realizações do poder, não devemos deixar de considerar o ‘poder’ se quisermos definir um lugar melhor para vivermos, pois poder é vantagem, é direito e é a ordem sobre a qual baseamos nosso senso de sociedade, quem está no poder pode ter louvor assim como todo tipo de acesso a benefícios inalcançáveis a muitos. Os privilégios encontrado em status local superior possibilitam acesso direto pela representação de tudo o que o poder pode fornecer, as engrenagens que mantêm a sociedade coesa.
A capacidade de realizações desse fascínio por poder, é de presença e vontade comum a grande maioria dos habitantes de diversas culturas. Em sociedades caçadoras, todos machos jovens cobiçam o status de guerreiro, o acesso as engrenagens sociais locais como a vantagem do respeito, poder de liderança e de persuasão. Na atual sociedade capitalista, os machos tanto jovens quanto adultos, cobiçam o status de independência econômica, tornando-se o admirado empresário que tem acesso as engrenagens sociais locais pela influência direta do seu poder de aquisição, respeito e admiração, poder nas tomadas de decisões públicas, representação popular e outros benefícios corruptíveis, acesso a melhores condições judiciais além dos demais.
Na sociedade militar o status se baseia em liderança, obediência e proezas nos conflitos, os então definidos heróis de guerra tem acesso a melhores condições de segurança, assim como melhores tratamentos, poder na tomada de decisões e poder de persuasão. Liderança e privilégios sobre as engrenagens sociais, é o que torna o poder tão sedutor em todas as culturas humanas, o poder é visível pelas vantagens e garantias de benefícios, que podem com muito mais facilidade trazer a todos que o possuem, as emoções e os prazeres de todos os níveis, desde as mais singelas até as mais ferozes.
Isso talvez possa servir de resposta ao caso do grande aumento de adeptos da atual moda nacional, a ‘ostentação’. Carro, dinheiro, mansão, sexo e muito mais. Ai vem a grande pergunta para se chegar ao pé de outra, mas desde quando não foi assim? Essa condição é novidade de alguma maneira? De alguma forma não chegamos às questões da condição natural humana pela necessidade de poder, sendo estas debatíveis somente aos longos tratados da natureza humana? O bom selvagem de Russeal se opõe ao Leviatã(o mal selvagem) de Hobbes, ao natural o que é o próprio homem e sua busca constante pela felicidade, senão suas realizações de um mundo em que ele gostaria de viver? 
O mudo em que napoleão gostaria de viver, era um mundo onde ele seria imperador, ditaria as regras e faria suas próprias guerras quando bem entendesse, Hittler e Mussolini acreditavam no mesmo, porém a sua própria maneira. Não muito longe dos ideais fascistas, nazistas ou napoleônicos está o ideal capitalista, o rei, o imperador e o ditador, foram substituídos por indivíduos que tendem a explorar ao máximo as liberdades e os benefícios atribuídos a seu status, de alguma forma está bem mais que explicitado a todos nos pela corrupção, o quanto é tendencioso o poder e seu fascínio.
O prazer promovido pelas realizações emocionais, é a chave para entender o mundo em que cada indivíduo deseja viver, isso é inegável, é uma questão de truísmo, o poder que parece ser o grande dono dessa verdade é apenas um meio de obter tal realização, é a base de nossa sociedade ao que entendemos por ‘ordem’, e apenas isso. Em uma maneira ‘Russel’ de pensar, acredito que além da mente humana o poder não tem sentido, afora da ordem das sociedades humanas somente não tem força alguma, pois somente existe dentro dos imperativos das sociedades humanas, onde não pode ser usado de nada serve, a lei somente tem poder sobre os homens se os mesmos a respeitam, para além da mente humana nada de humano faz sentido, o mesmo se aplica a moral, ao governo, aos rituais, as religiões e muito mais.
Com relação ao poder o mundo no qual eu gostaria de viver é um lugar não onde os homens se absteriam deste, mas onde antes de tudo, tendo ciência dos resultados históricos acerca da vontade de ‘poder’, um mundo sem temor e sem louvor ao poder que promove o controle dos homens, onde este serviria apenas de ferramenta ao homem, nunca sendo usado para o domínio, sim para ajudá-lo, um mundo em que o direito de se entregar aos devaneios da corruptiva vontade de controle pela execução do poder, não seria poíbido nem mal visto, porém interpretado como problema de saúde e tratado como tal. Além da mente humana o poder não tem sentido. Aos demais que escolhem seu mundo ideal baseado no poder, não pedirei nada a não ser que se lembrem do que já nos mostrou a história da humanidade, o custo final de um simples sonho de domínio pode ser quantificado nas pilhas de cadáveres que calçaram grandes realizações.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Como se comportar dentro de uma Igreja se você é Ateu.



Como se comportar dentro de uma Igreja se você é Ateu.


Imaginemos o seguinte cenário:

Um rapaz que não acredita na existência de Deus, se diz Ateu, aceita por fim o convite de seu amigo religioso. Chegando lá todos o recepcionam muito bem, com toda a educação necessária ao que se deve ter por todos naquele lugar. O escuta tudo o que o líder no púlpito diz, em seguida sobem os membros para darem seu testemunho, a palestra continua, o amigo religioso olha para o lado e se sente(talvez) como um pregador da palavra e um salvador de almas. No final aquela pergunta de amigo “E ai o que você achou?”.
Será que de alguma forma isso é novidade para o leitor? Ateus ou até mesmo religiosos já devem ter passado por isso, pessoalmente eu mesmo já vivencie os dois lados, já fui o Ateu convidado a participar de uma reunião religiosa, virei religioso e logo depois me afastei, como religiosos me senti mais uma vez um Ateu quando aceitei o convite de participar de outro grupo religioso, mais uma vez me afastei, agora como Ateu me convidaram também para participar da religião.
Moral da história, independente do seu credo, aos de diferente religião, todo o resto é ‘Ateu’ por desconhecimento, a melhor explicação será sempre aquela, convido o leitor(Ateu ou não) a ir pelo menos em duas igrejas de diferente denominação e provar por si só a minha tese: ELES LÁ FORA AINDA NÃO SABEM.

O leitor que ainda não vivenciou verá o mesmo processo se repetindo:
  1. Abertura: hino, oração, ação social: Hóstia, Sacramento, bebidas etc...
    1. Objetivo: Preparar o grupo para estar em unidade.
    2. Resultado: Pessoas em posição de submissão, aceitação.
  2. Palestra do líder
    1. Objetivo: Passar seu conhecimento.
    2. Resultado: Pessoas que difundem a outras as novas.
  3. Testemunho dos membros
    1. Objetivo: Atestar a veracidade das experiências.
    2. Resultado: Crentes mais fiéis na crença. pela experiência alheia.
  4. Encerramento: hino, oração, ação social: todo mundo se comprimenta.
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Agora vai minha sugestão de comportamento, não pergunte, apenas balance a cabeça em um sinal positivo, como falei, todos que são membros da congregação que você está visitando acham que você ainda não entende, e somente por isso você ainda não se atirou junto com eles no palco da igreja.
Não se surpreenda se você for religioso e estiver visitando uma igreja, pois todos saberão que você é de outra denominação facilmente, seu comportamento ou descontentamento com o entendimento comum deixa claro que você já tem o conhecimento prévio daquele mistério, porém você somente estudou errado ou escutou uma versão não esclarecida pelo poder misterioso que rege as interpretações da leitura dos livros sagrados, que somente e somente lá esteve presente, o tempo todo, e você não sabia.
Assim como beber é uma ação que exige responsabilidade, ir a uma igreja nova é uma outra, da mesma forma você vai ficar embriagado, em alguns momentos até mesmo com ânsia de vômito, ou como no alcoolismo, você pode se atirar de peito e tomar como rotina de fim de semana ficar embriagado pelo mesmo motivo, assim como todo bêbado fica chato na volta de não-bêbados, não esqueça todo religioso compulsivo pode ficar chato na volta de quem não é(ou de quem professa outra crença), sendo assim se for beber beba com consciência(o que é quase impossível), da mesma forma acredite na religião com consciência(O que é realmente impossível).
Se for beber vá devagar, se for acreditar vá mais devagar ainda, se você não estiver mais conseguindo parar de beber e não sabe quando deve parar procure ajuda, se você não consegue parar de acreditar, se você não está mais conseguindo duvidar de nada procure ajuda, há muitos blogs e muitos descrentes para lhe ajudar, há livros que podem lhe ajudar, muitos, para falar a verdade, se precisar até mesmo da minha ajuda me mande um email, não revelarei seu nome, nem sua crença. Se não for o seu caso muito bem continue assim, se você conseguiu abandonar sua fé, ou pelo menos botar algumas gotas de dúvida sobre ela meus parabéns.

Rudson Florencio da Silva


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Religiosismo ou Religiosidade?


Manual prático de um Ateu.

Religiosismo ou Religiosidade?


O que é Religião? Essa é a pergunta que vejo ateus, agnósticos e religiosos fazerem e responderem, eu mesmo já fiz muitos textos sobre isso, porém nunca deixei comentário de nenhum tipo sobre a religiosidade. O que me faz pensar por fim se existe algo que possa diferenciar entre o sentimento comum de religiosidade de qualquer que seja a religião, me vejo assim dentro de um empasse entre Religiosismo e Religiosidade, pois ao que parece, ambas tem o mesmo sentido, mas não nos enganemos elas são realmente muito diferentes.
Religiosidade é um sentimento comum, acredito que todo ser humano compartilhe dos mesmos sentimentos, ateu, crente ou até mesmo um indivíduo ilhado de uma tribo que nunca viu a sociedade civilizada, todos ficam perplexos com a grandeza da natureza. Podemos assumir desse ponto que religiosidade é uma faculdade natural enquanto todo o religiosismo ou a aplicação dessa faculdade, seja uma tendência, assim como crença de coisas sagradas para o indivíduo, resulta esta também em uma manifestação de um grupo. Tenho comigo muitas coisas, algumas são tocáveis outras não, um exemplo é minha honestidade que tanto valorizo, meus livros que da mesma forma também sofro por tal apreço, por fim coisas e coisas das quais nunca abriria mãos: Família, Amigos e assim por diante. Esse empenho, admiração, zelo, capricho, carinho e assim pode ser assumido como sendo impulso de minha religiosidade natural, a mesma que acredito eu, ser a grande cola que une os sete bilhões de seres humanos.
Se a admiração pelo mundo, assim como pelo 'todo belo' e 'elegante' que ele pode oferecer, pode-se definir como religiosidade, sim, digamos que até eu mesmo um ateu convicto sou dotado de tal religiosidade. Da mesma maneira outros ateus, até mesmo Dawkins ou Hitchens, assumiam tais sentimentos( nenhum deles em nenhum de seus trabalhos tentou provar o contrário), mas se isso é religiosidade então não é contradição ser ateu? A resposta é simples, 'não', todos rituais até agora catalogados como religiosos são resultados dessa religiosidade comum, indo além dessa ideia estaremos exercitando nossa religiosidade em religiosismo, sendo assim mediante processo 'religião', o que se pode observar de uma zona neutra é que a religiosidade está presente em toda a espécie Homo Sapiens.
Podemos assumir sem sentimento de contradição que somos dotados da mesma religiosidade em comum a qualquer ‘religioso’. Parecendo estranho? Concordo que dizer que sou dotado de religiosidade e não sou religioso parece mesmo, porém o que mesmo indivíduos de grupos religiosos mesmo sendo tão distintos em suas ideias possuem de igual forma? Todos os grupos religiosos que pude ver, e alguns com os quais pude conviver, possuíam certos ideais que são tão parecidos que até nos confundiríamos. É inegável o quanto a valorização da família e a admiração pela natureza do mundo permeia as mais diferentes visões, da mesma forma os pudores e os tabus.
Até hoje não conheci, e provavelmente não conhecerei jamais, nenhuma religião que abomine a união familiar, assim como o sentimento de irmandade oferecido pela unidade do grupo, tal grupo nem sequer sairia do papel, afinal, tempos de crises nos mostram o quanto membros de igrejas diversas se unem para ajudar seus membros e algumas comunidades de não membros. Em suma, todos indivíduos que conheço são dotados de religiosidade, alguns muito religiosos e outros pouco. O religiosismo ao que pelo menos sempre me pareceu, é a imposição de certas expressões de religiosidade. Porém vejo também que existe uma certa controvérsia.
Há em nós tendências para o religiosismo, isso é inegável, não devemos nos esquecer que somos máquinas projetadas para aprender, e para realizar-se tal façanha devemos ter certos impulsos naturais, algo que estimule os indivíduos, algo que os faça querer. Todos seres vivos possuem a sua maneira essa tal religiosidade que estou tanto querendo passar para o leitor, afinal uma sardinha deve ir para onde o cardume vai e nada mais, não há sinalização não há adestradores, as sardinhas se vão como onda e somente isso e nada mais, o elefante come no momento que toda a manada para comer, nenhum indivíduo abandona a manada para fazer o que quer fazer, uma formiga segue a trilha que a outra produziu e faz exatamente o que veio ao mundo para fazer. Parar quando a manada para, nadar com o cardume, seguir a trilha de cheiro e assim por diante, vemos o quadro se repetindo por toda natureza, a devoção as propensões naturais resulta em indivíduos sobreviventes, que por sua vez aumentam a sobrevivência do corpo coletivo e do coletivo mais uma vez para o indivíduo, isso exige impulso natural.
A lei do meio ambiente é a sobrevida, estamos todos a beira da morte, desesperados para continuar vivo, e esse desespero é necessário para a continuidade da vida, mecanismos e mais mecanismos se adaptaram mudaram, migraram, segundo Darwin é exatamente essa corrida que nos tornou o que somos, e logo também o que fazemos de melhor. Se somos dotados de ferramentas para aprender logo devemos ser estimulados por dentro. Há um ‘Know-How’ que nos impõe essas condições naturais para que vivamos em sociedade: Aprenderá, Fará. Mas o macaco vê o macaco faz por si só não responde a questão principal para a existência de uma sociedade tão complexa quanto a humana. Existem os impulsos, existem também as mutações sobre os impulsos, descobrimos formas de abusar das recompensas naturais, “Você quer ser feliz?”, garanto que todos já ouvimos essa mesma pergunta, eu lhe dou duas sugestões e ambas o irá levar ao mesmo objetivo(felicidade) a sua maneira. Primeiro lhe sugiro dedicar sua vida inteira a buscá-la por meio das experiências diárias. Segundo, lhe sugiro as drogas. Calma! Explico, descobrimos moléculas capazes de nos dar aquilo que as experiências da vida guiada pelos impulsos naturais dariam sem que tenhamos de esperar, afinal quem não é viciado em algum meio artificial de felicidade?
Toda criança é curiosa, somos todos curiosos, quem nunca chamou um amigo que sabia mexer melhor no computador para dar uma olhada e depois perguntou ‘O que você fez. O que tinha’. Como somos animais que aprendem, aprender exige muitos mecanismos, os pais serão sempre o primeiro meio, os amigos, as cadeiras ou o sofá para se apoiar. Tem uma frase que eu gosto muito de D'Arcy Thompson “Tudo é porque ficou desse jeito”, a seleção natural pode parecer para muitos como simplesmente uma mão invisível que mata o que não é bom e deixa viver o que é bom, porém essa ilusão é somente meio falsa. A seleção natural impõe aos indivíduos variações que dependem dos seus ambientes. Somos melhores do que qualquer espécie, achamos, não se iluda quando digo ‘achamos’ coloco a mim mesmo dentro do pote, porém não somos tão bem sucedidos quanto as amebas são em seu habitats. No que somos resultado de trabalho de muitos milhões de micro-organismos para fazer o que fazemos, no que é mais importante a nós uma ameba sozinha faz tão bem quanto nos mesmos, que é sobreviver.
As apostas da seleção natural são ao que muito se deixa perceber não somente imposição, mas também supervalorização das melhores aptidões dos indivíduos, uma borboleta larga seu ovo, este por sua vez eclode e deixa uma larva cuja única esperança e comer e se esconder, após tal processo esta se encasula e sai por ai numa corrida frenética contra o tempo atrás de parceiros sexuais. Não somos dotados de tal potencial, larguemos uma criança recém nascida no meio do mato, nem muito irá saber pegar um graveto e levar a boca, senão chorar e espernear até a morte na esperança que algum adulto ouça e venha a seu socorro. No que as lagartas foram aperfeiçoadas na técnica de sobrevivência a ponto de deixarem suas crias a míngua sozinhas, fomos aperfeiçoados a sobrevivência a nossa maneira. Para nós nada além da vida de uma criança é tão importante, nem as nossas, afinal não foi a toa que demos como toque de salvamento como mulheres e crianças primeiros. Fomos dotados por esse espírito coletivo durante longas experiências de sobrevivência e reprodução. Mesmo as crianças que sobreviveram aos campos de concentração tiveram filhos, e cuidaram desses.
Há uma corrida para sobreviver em todo canto que olhamos, inclusive os que não olhamos que é dentro de nós mesmos. As pressões naturais as quais empurramos os vírus da influenza, faz com que aumente cada vez mais a quantidade de variações que são resistentes aos novos métodos de tratamentos. O mesmo fez a savana conosco, fez com que as melhores características do nosso grupo aumentasse sua população, aumentando sua perspectiva de sobrevivência e reprodução. Para que um grupo muito grande como o nosso possa sobreviver é necessário aprimorar o melhor de nos mesmos, e foi isso que fizemos e que nos possibilitou reproduzirmos e passar esse Know-How melhorado aos próximos que por fim vieram. Mas nem em tudo ele deve acreditar, pois lembremos daquele pássaro, o cuco, ele vem e coloca seus ovos nos ninhos de outros pássaros e deixam o pobre do instinto maternal alheio fazer todo o trabalho, ponto positivo para o cuco e negativo para a vítima.
Somos viciados em aprender, para isso precisamos de um meio, precisamos viver em grupo, ser aceito por esse, essa forma de existir também cria certos empecilhos para todos nós, pois somos viciados viciados por natureza com aquilo que pode nos trair, que é a vontade de estar em um grupo e fazer parte dele, somos programados para receber recompensa por esse comportamento com o sentimento de conforto, fraternidade e muitos outros, talvez essa seja a resposta do porquê das pessoas fazerem coisas estúpidas em nome da fé. Assim como podemos estimular a recompensa da felicidade com certas moléculas vinda do mundo de fora, podemos super estimular o sentido de grupo aderindo a grupos que nos faça sujeitar o que há de mais valioso, a ponto de nos sentirmos mais do que integrado a esses grupos, a ponto de sentirmo-nos o próprio grupo em si.
Fazer o bem é bom,e fazemos até pelo telefone quando nos ligam para pedir doação, eu mesmo já fiz isso e me senti um herói, consegui sujeitar algo de valor em mim a ponto de ter uma sensação de alívio e me sentir parte do mundo, isso é viciante tanto quanto revigorante. Essa capacidade de super estimulação das aptidões naturais nos faz querer ser o que fomos feitos para ser, animais que sobrevivem em bando, mas nossa capacidade de aprender nos deu o potencial para super estimular nossos sentidos vulgares. Aprender a tocar violão é uma experiência que me estimula tanto que até mesmo meus problemas do cotidiano desaparecem, e isso me faz querer tocar mais e melhor, acredito que essa capacidade de super estimulação dos sentidos nos faz querer dirigir em alta velocidade, aprender um novo idioma. Nenhuma de nossas ações sociais são vãs e sem sentido, elas são dotada de uma única vontade final, obter a satisfação, o que por sua vez obriga os indivíduos a buscar por mais e mais, marchando rumo a um infinito de novas experiências e recompensas, levando ao êxito da sobrevivência pela vontade de viver.
A capacidade que cada indivíduo tem de querer ser alguém, é o que podemos definir por sentimento de religiosidade em sua condição 'pura'. Da mesma forma como a inclinação natural a buscar grupos que possuem as mesmas inclinações, somos produto do produto ad-infinito do produto, variações que lutam por vantagem em um único jogo cego e sem sentido. Puts! Fiz de novo, não se preocupe, peço desculpas, aceite mais uma vez esse artigo em seu coração, perdoe esse contraditório escritor que afirma ter sentido e não ter ao mesmo tempo. Essa capacidade de aceitar e ser aceito é um vício que pode ser estimulado.
A imposição das ideias de um grupo religioso, é a imposição de seu sentimento de religiosidade, é a super estimulação das aptidões naturais que cria os grupos, é grupo que super estimula as aptidões naturais, afinal os pais também aprendem com os filhos, as empresas aprendem com os funcionários, os funcionários aprendem com as experiências do trabalho, da mesma forma os dogmas religiosos aprenderam a respeitar os tabus humanos e os humanos aprenderam com os dogmas religiosos a respeitar seus tabus. É tão difícil ainda explicar quem veio primeiro, o ovo ou a galinha, o dogma ou o tabu, a experiencia ou o aprendizado, o pai ou o filho, para que não nos percamos por entre perguntas retóricas como essas uma coisa deve estar bem gravada em nossas mentes, como D'Arcy Thompson “Tudo é porque ficou desse jeito”, e realmente, houveram mudanças no meio que possibilitaram as criação de ferramentas, vieram as ferramentas que melhoraram o meio, e por fim tudo é porque ficou desse jeito.


Rudson Florencio da Silva

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Insite



2+2=5
........................................
Antes de voltar.
Ignore de onde veio.
........................................
5=2+2
Insite → → → apenas siga...

Mudar o mundo


Não concordo com nada do que você diz porém morreria para que você tivesse o direito de dizê-lo...
Evelyn Beatrice Hall em
correspondência para Voltair...


É melhor correr o risco de salvar um homem culpado a condenar um inocente...
Todo Homem é culpado do bem que não fez...
Voltair...

Muito penso sobre essa questão, o tempo todo para ser sincero, porém me deparo com a dura realidade histórica acerca do preço pago por tal ideia ambiciosa e até mesmo pretensiosa. Todos os Ismos que conheço tem origem nessa questão. O Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, Budismo, Taoismo, Xintoísmo, Pastafarianismo(esse pelo menos me agrada) e outros, definem a vontade de mudança no sentido filosófico e religioso. O Comunismo, Capitalismo e Socialismo; definem a mudança com o ideal de organização politica e econômica.
Com certeza cada um desses ismos possuem suas próprias ideias e vontades que divergem das demais. Certo que tanto o ismo cristão quanto o islâmico possuem como base a dignidade humana, isso é fato pela sua pregação e por seus repúdios, ambas condenam o suicídio e o homicídio, ambas repudiam os atos de violência contra a dignidade humana, tanto física quanto espiritual. Porém é inegável a existência de divergências quanto aos métodos e ao meio de alcançar tal ideal. Quanto a dignidade humana, parece haver aprovação dos meios mais repudiados quanto a necessidade de superar os Ismo alheio, “A vida humana é valiosa para o criador de um quando este não pertence ao outro”.
Se pudesse mudar o mundo não o mudaria com um novo plano de organização, mas sim valorizando a única coisa que existe entre estes Ismos: A HUMANIDADE. O homem receberia o direito de ser humano e a obrigação de lutar pelo direito do próximo, um ideal de humanismo e apenas isso; Em tempos de crises o inimigo receberia o que este menos espera: humanidade livre de quaisquer ameaça por sua oposição a mesma, em tempos de paz um processo reforçando esse ideal, aprimorando as ferramentas de uma sociedade baseado nos direitos do bem estar comum. Por fim de todos os Ismos somente o Humanismo Militante.
Rudson Florencio da Silva






terça-feira, 25 de junho de 2013

Crime contra a humanidade



Crime contra a humanidade

Parte 1 – Introdução

Não há como tecer comentários sobre esse assunto sem que se encontre presente aquele constante apelo emocional. Apelos quase inevitáveis pelas imposições naturais e artificiais encontradas na condição humana: Sinto dor e isso me provoca o medo do que possa vir a promovê-lo; Tenho sonhos e nisso acabo por criar(assim como tantos outros seres humanos) esperanças sobre o meu futuro, da mesma forma crio certos anseios sobre a realização de tais sonhos. Esses sentimentos que creio eu serem as bases da formação do caráter humano, assim como essas são as bases da minha formação humana, podemos ou posso estar errado sobre tais pretensiosas qualidades?
Não me parece que estejamos aproveitando de forma positiva essa capacidade sentimental, pois parece até mesmo que a solução se encontra como resultado do medo da repressão a identidade humana. Governos foram constituídos e mantidos dentro desse ideal de controle pelo medo, a história talvez seja a nossa maior arma contra esta capacidade que mesmo digna de respeito se voltou contra nos mesmos, a criação de um estado governado por um rei e a aceitação do mesmo na esperança da manutenção e no controle desse medo; O medo de ser deixado à barbárie da anarquia. Porém os mesmos reis que controlaram a população pelos medos da mesma, se entregaram ao 'poder livre' que se encontra no direito de governar, tivemos uma era tirânica que foi a mas desumana de todos para a manutenção da humanidade dos mesmos.
Quando abrimos nossos livros de história, tal realidade nos parece muito distante, porém o sangue dos mesmos que o viveram ainda está presente em nós, continua pulsando da mesma forma, e o medo deles ainda é o mesmo nosso; o medo de não podermos manisfestar nossa humanidade.
Quando falamos de tal medo, nos referenciamos a tudo aquilo que nos torna tão humanos hoje quanto foram aqueles que viveram aquele tempo da história; o direito de ter ou não uma religião, amar de forma livre aqueles que assim quisermos amar, expressar de forma livre as ideias que nos tornam iguais, da mesma forma expressar nossa oposição aquelas mais influentes sobre o estado em que vivemos, ter acesso aos três benefícios mais básico da existência em grupo: Assistência Médica, Educação dos nossos Filhos e a Segurança Fundamental para garantir todos os direitos anteriormente referenciados.
Todas as sociedade humanas se construíram em torno da mesma ideia, de forma previsível todos se beneficiaram de tais construção, porém dentro de todas as possibilidades esperadas, muitos que ascenderam ao poder foram mais beneficiados do que outros. Ao que pode ser notado, todos os líderes sociais de todas as tribos humanas recebem por necessidade de credibilidade, liberdades suficientes para guiarem seus grupos por 'crença, esperança e necessidades comuns', ao melhor lugar para benefício de todos.
Não sabemos quem foi o primeiro líder e visionário que guiou os primeiros humanos pelas duras realidades de um mundo rodeado por predadores e doenças sem cura, sabemos que a união conjunta desses primeiros grupos encontrou benefícios na sobrevivência pela união dos indivíduos, da mesma forma que no ideal de liderança centralizada, partindo dai sabemos que todos se beneficiaram dessa união, segurança por parte do espirito de grupo, educação pela troca de experiências e relação entre as crianças que mais tarde se tornariam adultos, a observação com os enfermos pelo bem geral da comunidade, afinal todos poderiam adoecer, o cuidado e a atenção dada aos idosos, os mesmos que constituíram a geração anterior.
O compartilhamento das descobertas(ambientais, medicinais, tecnológico etc..) assim como da divisão de trabalho, criou uma nova organização os nômades passaram a ocupar os lugares que outrora somente esperavam que houvesse alimento, essa organização de métodos práticos possibilitou a chegada divisão da sociedade em uma série de camada, trabalhadores, comerciantes e compradores, produção distribuição e consumo.
Desde épocas mas remotas não temos tido outra forma de organizar a sociedade sem ter de pensar em como equilibrar tais meios, pois a sociedade que deixou há muito tempo de ser nômade passou a girar em torno dela. O benefício da ampliação e do melhoramento desse sistema, é visto hoje como e vivido por todos nós hoje, não há nenhum pedaço de terra sobre a superfície do planeta que não esteja ocupada.
Para tal ampliação e melhoramento desse sistema seguiu-se então toda uma vasta história de métodos e métodos, a centralização do poder sobre o controle da produção, distribuição e consumo se deu na criação de estados que criaram suas próprias moedas para que fosse possível manter uma ordem entre quem produzia e distribuía para quem comprava, passou a ser possível ter sobre o produto total controle sem que houvesse a produção do mesmo, um litro de leite pode durar de dois a três dias sem as técnicas atuais de refrigeração, o queijo pode durar mais, a carne também assim como o leite pode estragar e perder suas qualidades de consumo, porém uma única moeda pode durar até gerações.
A produção de moedas na substituição da troca direta de produtos e valores de prazo duvidáveis, passou a ser a prioridade do estado para a manutenção e estabelecimento da ordem. Houve a necessidade sobre a definição do quanto cada moeda iria valer, da mesma forma sobre o valor de cada produto. Os membros dos grupos passaram a trocar sua mão de obra por moedas que lhes dava poder de aquisição prévia sobre os produtos que necessitassem. O acumulo de moedas era também o acumulo de poder sobre os produtos e serviços prestados na troca de valores.
O benefício da existência em grupo saúde segurança e educação da próxima geração, passou a cargo dos trabalhos contratados pelo estado para atender as necessidades da sociedade que acumulava riqueza. O controle dessa máquina de carência social é capaz de criar pessoas que podem acima de tudo, obter ganhos próprios, assim como pode fragilizar e tornar mais dependente ainda aqueles que habitam a sociedade. Despotismo é mais que esperado dentro de qualquer organização que centralize o controle sobre o poder de produção, consumo e aquisição.
A história das sociedades humanas se deu em cima desse controle, por sua vez houve mudanças de pensamento seguida de revolução sobre o mesmo controle. Na revoluções que aconteceram pelo mundo inteiro podemos notar os seguintes estágios histórico: formação de grupos dominantes, centralização do controle sobre o poder de consumo e produção, descentralização do poder pelo acumulo e distribuição do mesmo, revoluções pela supressão por parte do grupo dominante, o significado dos valores acumulados, passou logo seguida a ser o foco central das mesmas revoluções que por sua vez trataram de centralizar o controle desta em outros meios.
A Revolução Russa, Francesa, Americana, Germânica, Italiana, Portuguesa, Britânica e outros, todo registro histórico está permeado de fatos significativos na mudança sobre controle da divisão das riquezas acumuladas, ganhos pelos valores de troca que mantém os meios de serviço e produção. Quando tal processo sofre depreciação, a riqueza acumulada também sofre, por sua vez os pilares da sociedade civilizada que é exatamente o benefício de viver nela também é afetada dando início a um novo processo de mudança desse controle.
O estouro da manifestação popular é sempre o fator determinante para a mudança na forma em que se dá o retorno do benefício de viver na sociedade. O resultado da exposição das condições humanas precárias, sem o mínimo dos benefícios que a sociedade deve repassar cria não somente números negativos como também cria antes um estado de desvalorização do indivíduo humano. Ao erro administrativo, e a fragilidade da mesma aos pequenos desvios dos valores acumulados pela sociedade para a existência da mesma, acúmulos estes que se dão em troca mútua pela união dos indivíduos para retorno dos serviços básicos, a esses erros atribuo boa parte da responsabilidade com o descaso Humano.
Quando falamos em crimes contra a humanidade não podemos somente deixar que imagens de guerra dominem o contexto, meu artigo tem como objetivo provocar o leitor a enxergar que a outras formas de crimes contra a humanidade. O conceito de tal crime deve ser estendido para todos os setores humanos, pois se dentro de qualquer ação egoísta individual ou coletiva(administrativo, religioso, racial, cultural ou sexual) houver exposição humana a supressão das definições do valores do indivíduo humano(físico,moral), instauraremos o crime contra a humanidade, e esse será o nosso maior benefício: a conquista de um Establishment que trabalha dentro dos limites dos valores humanos e para a manifestação do mesmo.

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)da Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948
Preâmbulo


Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo.
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum.
Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e a opressão, Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações.
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla.
Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades.
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso.



A Assembleia Geral proclama


A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.
Artigo I. Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Artigo II. Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
Artigo III. Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV. Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.
Artigo V. Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Artigo VI. Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
Artigo VII. Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Intro. Crime Contra Humanidade.


[...]Quando falamos em crimes contra a humanidade não podemos somente deixar que imagens de guerra dominem o contexto, [...]O conceito de tal crime deve ser estendido para todos os setores humanos, pois se dentro de qualquer ação egoísta individual ou coletiva(administrativo, religioso, racial, cultural ou sexual) houver exposição humana à supressão das definições do valores do indivíduo humano(físico,moral), instauraremos o crime contra a humanidade, e esse será o nosso maior benefício: a conquista de um Establishment que trabalha dentro dos limites dos valores humanos e para a manifestação do mesmo..[...]

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O Gigolô das palavras


Luis Fernando Verissimo

"Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda."
 (O Gigolô das palavras).

segunda-feira, 25 de março de 2013

A língua da bolita


A língua da bolita

As verdas ou as brinca? Boco ou arraia? Boco com o calcanhar ou arraia com o indicador? Boco, Então pucha o traço para marcar, De traz do boco é o remeço,  O mais próximo da linha é o primeiro a começar, Se tocar na bolita volta todo mundo, Vale muds, trocs, limps ou palms? Vale mas se usar tuas aça vou usar minhas olho-de-gato, Deixa eu te mostrar minhas açinha, e agora ainda vai querer trocs?

terça-feira, 5 de março de 2013

Filosofia de Banheiro Parte 1: A vida é curta, portanto curta.


Filosofia de Banheiro
Parte 1: A vida é curta, portanto curta!

Título meio forte esse para um artigo tão simples que tende a se tornar complexo conforme vai sendo aprofundado.

Filosofia de banheiro é para mim a conceitualização de um monte de racionalizações que são aproveitáveis para os belos momentos de reflexão naquele local mais privado. Formando um bolo de pensamentos entranhados em muitas das conversas do dia a dia, indo do mais inteligente para as prosas sem fundamentos. Encontramos essas reflexões constantemente deixando-se escapar boca a fora, estando essas sempre na ponta língua como a resposta mais curta, algumas de extrema sensatez e tantas outras de suprema idiotice, as vezes presente por horas nos assuntos sóbrios indo até as profundas e persistentes conversas dos bêbados das mesas de bar. Com certeza estas se encontram presente por serem de total domínio de qualquer indivíduo, o arcabouço mínimo de qualquer filósofo de bar.
Uma das quais por muitas vezes é dita assim tanto quanto é ouvidas deve estar no topo das filosofias de banheiro, cruzando sempre os extremos de sua premissa torna-se esta por sua vez estúpida e até leviana. Dominantemente presente como filosofia de vida e irresponsável quanto aos fundamentos de sua fascinante premissa a filosofia 'Curta a vida por que ela é curta' se encaixa perfeitamente como filosofia de banheiro e até merece um lugar de destaque em qualquer texto, muitas digressões podem ser feitas a partir dessa que acredito eu, poderiam encher estantes com o troféu joinha de capciosidade e irresponsabilidade, porém como qualquer outra frase seus lados positivos não podem ser omitidos.
Impulso de adolescente e filosofia tão aventureira quanto, admito de forma prolixa que não entendo o que esta frase quer dizer como um todo sem antes analisar toda a série de evento ao qual ela está relacionada, se é esta simplesmente uma frase boa ou má vai depender inteiramente de sua aplicação e do seu motivo de expressão. Como explicação para impulso de viver, dentro da cabeça de cada indivíduo este pensamento parece tomar diversas formas e gerar por sua vez ideias totalmente diferentes. Parecer e ser são coisas totalmente diferentes, em suma parece que esta filosofia se aplica muito bem a todas as idades e momentos possíveis da vida, desde a explicação para o sarrinho com amigos, até como explicação aos meios inusitados de viver a vida.
Na adolescência esta filosofia serve como justificativa para desculpar todo o tipo de estupides cometida, na idade mais avançada como aquela vivida e experimentada pelos pais, esta frase serve como intimidação ao adolescente acerca dos riscos que ele está correndo, porém como a experiencia mostra esses avisos não serve lá para muitas coisas. Temos até uma aplicação espiritual dessa frase, ao budista serve esta como impulso para viver uma vida de extrema meditação, podemos também ter exemplo partindo do pensamento politico, ao anarquista serve esta como método de convencer a si mesmo que é possível negar as responsabilidades existentes dentro de uma sociedade cada vez mais complexa.
Raramente dita ou ouvida dentro de uma racionalização útil; Na construção do senso comum(iremos analisar mais adiante). A vida é curta, realmente e isso é inegável, até mesmo o mais afásico de todos os escritores tem compromisso moral de reconhece essa verdade, e os traços desse pensamento podem ser vistas por todas as etapas da vida, do início ao fim. A infância é marcada por eventos que determinam as condições emocionais da adolescência, assim com esta determina as características emocionais e o comportamento do indivíduo que consegue chegar a idade adulta(muitos). Passando(se tiver sorte), da infância pela velhice rumando a uma morte 'natural', todos os tipos de eventos acontecem em suas múltiplas possibilidades. Das crianças que nascem em lares completos, com pais e mães, cercada por uma família acolhedora, uma educação do mais auto nível, aquelas das fotos de propaganda religiosas que estão a brincar rindo colhendo frutos em uma floresta pacifica, reconhecemos também que há aquelas incontáveis crianças que nascem em fundos de quintal, isso é se houver um para dar a luz.
Uma frase da vovó entra acredito eu perfeitamente nessa analise; A os que nascem para padre e os que nascem para padecer. Como resolver o problema da vovó? Há realmente os que nascem para padre? O que sobra aos que ficaram para padecer? O grande problema dessa filosofia da vovó seja talvez a sua grande insensibilidade acerca dos indivíduos, não esquecendo o detalhe católico do problema da vovó, porém ela expõe a verdade sem ao menos pestanejar, não que ela esteja a favor de cruzar os braços e padecer, até mesmo pela colocação dela indicar algo de total natureza submissa.
Colocar a realidade frente a frente com sua multifacetada e até injusta verdade, é reconhecer que existem casos tão distintos que poderiam definir a existência de pessoas vivendo em universos totalmente isolados, algo bem próximo dos pensamentos cristãos da minha vó sobre o céu e o inferno. O céu para ela é a definição de viver uma vida cômoda e farta, em um lar rodeado de pessoas para dar atenção ao menor sinal de carência afetiva, aptos a suprir a menor das necessidades, também podemos definir o que para a visão da minha vó seria o inferno como algo que já relatei em passagem anterior. Como se um passo ao lado ou até mesmo uma virada de pescoço não pudesse revelar a realidade alheia, você pode estar sentado em sua cadeira giratória perante seu computador comendo algo doce, ou aquela clássica bolacha de água e sal, crianças podem estar sendo acordadas abaixo do facão na África, muçulmanos podem estar sendo exterminados na faixa de gaza, uma daquelas famílias cujo pai é um estuprador que não encontrou nem sequer uma sacola plástica para violentar uma pobre menina na ainda selvagem África pode estar sendo criada agora, aquele tipo de família de uma pessoa só. A realidade que se encontra em total contraposição a vida do leitor, assim como a do escritor desse texto, é sensível a menor virada de pescoço, a verdade acerca da realidade pode ser perturbadora a todos porém é o que a vovó falou com uma mistura de pergunta sobre o que você fará para mudar, virar padre?
Parece que o texto perde o sentido quando mais uma vez desce aos problemas do mundo, inegáveis e aceitos, porém a intenção é justamente essa; tirar os fundamentos da frase da vida curta como meio de explicação as intransigências da sociedade. Baseado no fato de que a vida é curta, é muito mais fácil escapar de certas responsabilidades, para alguns ela é fácil demais para outros é extremamente brutal e até mesmo constrangedor, ligar a TV para assistir uma reportagem sobre uma menina grávida que foi violentamente estuprada para mim é somente assistir, para a moça que pelo menos sobreviveu será um trauma marcante, para o estuprador que até o memento em que escrevo este artigo se encontra foragido é apenas questão de alcançar um prazer a qualquer custo, mesmo que burlando o total bom senso senão todo o conceito de humanidade e dignidade pessoal. Aqueles tantos que assim como eu apenas assistem tal reportagem e a tantas outras, definitivamente podem sentir-se mal por não aceitar que algo tão desumano possa ser cometido por outra pessoa, que até então é tão normal e provavelmente dotado do mesmo critério de dor e de propriedades física e mental que eu ou o leitor.
Daqueles exemplos clássicos da boa família religiosa, com toda aquela felicidade que se espera que uma criança possa viver, como naqueles pequenos cartazes dos perturbadores e batedores de porta; Testemunhas de Jeová, podemos ter a visão real do quanto somos ambiciosos pela paz e sossego incluindo o direito ao terreno e a uma família própria, porém nem todos vivemos sobre a mesma face de justiça divina(se existe). Dos agraciados senão abençoados(se existe) filhos de Silas Malafaia, aos que são adotados por milícias e treinada aos absurdos das chacinas, este é o extremo. Do 'Viva a vida por que ela é curta' loucamente porque 'a vida é curta', porém vivendo bem em um cômodo apartamento, senão como um falecido amigo de infância; em cima de uma moto(morreu de acidente na mesma moto), ao 'Viva do viva a vida porque a vida é curta' fugindo ou matando dentro de uma milícia armada do Mali. Como disse George Carlin; 'Peguem suas malas garotos porque o trem da realidade vai partir'.
Uma frase de Anna Karenina de Liev Tolstoi se encaixa muito bem nessa crítica sobre a filosofia de banheiro: "Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira". Essa frase pode ser adaptada da seguinte forma:”Todos somos felizes e iguais. Cada um é infeliz a maneira”. Esse poderia ser um ensaio acerca do inconformismo, porém podemos fazer uma curta parada por aqui com enfase na grande frase de banheiro da valorização de uma vida curta. O que ou o quanto é necessário ter para ser feliz parece que dominou o assunto, porém para que possamos resgatá-lo valo apena fazer uma ressalva, com certeza a intenção da filosofia do curta a vida tem suas bases na busca da felicidade do indivíduo, como eu falei a felicidade é algo pessoal e político(como roupa velha, tá sempre mudando de emenda). O que é necessário ter, fazer ou adquirir para viver uma vida completa? Com certeza a particularidade na solução dessa questão responde por conta própria ao leitor o potencial tão negativo quanto imáculo da filosofia da vida curta, o que cada indivíduo fará para alcançar o nível de satisfação é algo que pode fugir até mesmo ao bom senso, enquanto a poucos o mínimo satisfaz aos outros muitos tantos é necessário lembrarmos de que impera mais uma vez outro ditado da vovó: “Para quem nasce com tudo, muito nunca é o suficiente”.
Voltando ao crítico da filosofia de banheiro, o que se conhece sobre as perspectivas desse ditado? Seu objetivo e aplicação é uma verdadeira incógnita, como uma forma de aplicação geral é objetivo desta a felicidade na aplicação de todos os meios possíveis, até mesmo os mais insensatos para satisfação pessoal, usando a esculpa de ter a vida curta, como naqueles filmes da seção da tarde em que um maluco descobre que tem um câncer, beija a chefe, xinga a família, faz um assalto, briga com a policia e entra num parque, até que em fim descobre que seu exame médico foi trocado. O que podemos definir de antemão é que temos um grande paradoxo por definirmos a utilidade de uma filosofia de vida como esta, de um lado queremos viver todos estados possíveis da vida(com exceção daquelas que nos trazem consequências adversas), de outro reconhecemos nossas responsabilidades morais e nossos deveres para com o sistema ao qual fazemos parte, o paradoxo está gerado em negar a existência de um desejo e uma obrigação que veemente caminham juntos, ou negar a ordem e enlouquecidamente querer fazer do desejo o impulso de viver, bem, se sua mãe for uma senadora de um estado qualquer, ai sim você pode. Afinal quebrar a ordem é nosso dom ou criar a ordem e nosso fascínio? Do ponto de vista histórico posso dizer que criar a nossa ordem é nosso dom, assim como é nosso dom quebrar a ordem alheia. Quem nunca quis fazer algo que supera-se o conceito social dos amigos ou conhecidos acerca de si mesmo? Eu acredito que em algum momento da vida o leitor quis ser reconhecido senão temido e respeitado por ter feito alguma coisa desafiadora, e da mesma forma deve ter ficado muito brabo após ter sido desafiado.
Apoiarmos nossas bases morais na realização de uma filosofia de vida é algo totalmente perigoso, afinal quem não reconhece seus direito de pegar um carro e cair com o pé na estrada? Porquanto quem não reconhece seus deveres para com a segurança alheia e a sua própria quando pega seu carro e bota na estrada? Por que desse paradoxo e como ele foi instituído? Queremos(acredito eu) ter a liberdade de enlouquecermos para que possamos fazer tudo o que queremos, como quisermos e quando tivermos vontade de fazê-lo, afinal todo postulado da filosofia de vida em questão é muito simples e curta; 'só se vive uma vez'. Não posso ser pretensioso e falar sobre felicidade como um um orientador religioso, somente eles podem, até mesmo porque isso exige uma certa qualidade que eu não possuo; querer parecer, até mesmo porque felicidade é a mais problemática de todas as palavras, porém podemos digredir um pouco sobre as facetas desse problema.
Admitir que é fácil ser feliz, assim como dizer as maneiras de sê-lo definiria o caráter desse artigo algo que toda literatura de alto ajuda que começa com o titulo de felicidade é: HIPOCRITA, primeiramente porque felicidade é algo totalmente pessoal, segundo literatura de autoajuda é pernicioso por ser um produto e definir objetos e objetivos específicos, e é isso que eles vendem a satisfação de poder dizer; 'eu quero, eu posso, eu vou, eu tenho, eu sou, eu, eu e eu'. Quando uma pessoa é criada em um ambiente em que o dinheiro está sempre em um estado de suspensão de experiencia, se é certo dizer algo assim pois ela vive em um presente tão indistinguível de valores morais quanto aquelas muitas outras que são criadas nos de extrema carência, traduzindo minha forma de pensar 'David Hume', não notamos de forma alguma o reflexo dos patrimônios(não generalizando) ou bens financeiros sobre os valores morais de cada indivíduo assim com não vemos seus efeitos(mais uma vez não generalizando) na realização da felicidade, o que notamos é que todas buscam de forma competitiva a si mesmo atender suas prórias necessidades e alcançar o que pode ser definido por excelência em sua qualidade de vida. Objetivos e metas são puramente pessoais, todos estamos buscando algo para alcançar a excelência nossa própria vida, o menino sem pai nem mãe e o menino com pai e com mãe, ambos buscam o melhor de si para si isso é a única coisa sobre felicidade que pode ser dito.
Sobre a busca pessoal é por felicidade dai pra frente começa haver confusão entre certos níveis de realização pessoal, até mesmo porque entra em questão algo como honestidade, humildade e o conceito humanitário de humanidade(alguns diriam religioso). Admito haver tal problema não como dicotomia filosófica mais como problema social, afinal não podemos definir o quanto um indivíduo pode ter ou limitar-se a adquirir. Nada pode ser feito a combater as ambições de posses de cada pessoa, afinal se quisermos comprar dois ou três carros é direito nosso, a única limitação que pode ser imposta aos ansiosos por acumular bens é limitar seus meios de aquisições. Parece estranho a primeira vista impor limites, porém sempre é bem vinda aquela velha malicia da vovó de enxergar as ações e suas reações, ninguém deve acumular bens de nenhuma forma que venha a lesar outros. Inventamos a religião(não somente uma mas várias) para abrandar corações e dar um pouco mais de ilusão do que a realidade permite, aqueles que acreditam que precisam de recompensas por serem bons assim como aqueles que esperam punições para os que são maus, porém inventamos o bom senso e um grande conjuntos de regras que podem ser aplicados dentro do mundo físico para conter atrás de grades aqueles que ousam burlar os limites invisíveis das leis assim como os limites visíveis de outros homens.
Assim como a felicidade essa filosofia de banheiro toma seu próprio rumo na consciência individual, porém em um âmbito mais complicado, essa toma seu próprio rumo na consciência social, criando a ordem e o direito de segurança aos bens de cada indivíduo. É cultura da própria sociedade explorar os medos da morte assim como o desconforto alheio pela perda de outros, pois é isso que também a sustenta em união, defendemos aos nossos assim como defendemos a nos mesmos, “a vida de um homem é incompleta, a menos ou até que ele tenha vivenciado o amor, a pobreza e a guerra”- Crhistopher Hitchens. Dentro de uma perspectiva altruísta essa filosofia é até certo ponto usada para minimizar a dor humana, afinal de contas a vida é curta demais para que toleremos também a dor e o sofrimento alheio. Não nego que essa filosofia não possua nenhuma aplicação útil e até de certa forma possa ser esta uma das bases para a formação cultural, senso comum e direitos humanos, afinal se houvesse em todos certeza de um depois(pós-morte) assim como é proferido pelos religiosos, todo sofrimento seria apenas etapa da existência, não havendo necessidade nenhuma de sessá-la, não havendo por fim necessidade de sociedade para acalantar e confortar a dor alheia, sobre a certeza de um pós-morte sabemos que somente as crianças é que ficarão para contar nossas histórias, assim como contamos a nós mesmos a de nossos antepassados.
Os olhos do número 57 continuavam abertos, a boca também aberta, seu rosto pequeno e contorcido numa expressão de agonia. Porém o que mais me impressionou foi a brancura de seu rosto. Ele estava pálido antes, mas agora pouco mais escuro que os lençóis. Enquanto olhava para aquele rosto minúsculo e retorcido, ocorreu-me que aquele resto repugnante de matéria que esperava para ser levado embora e ser jogado em cima de uma lousa em uma sala de dissecação era um exemplo de morte 'natural', uma coisa pela qual se reza na litania. Eis aí, pensei, o que te espera, daqui a vinte, trinta, quarenta anos, é assim que os sortudos morrem, os que vivem até a velhice. A gente quer viver, é claro; na realidade, só ficamos vivos em virtude do medo da morte, mas penso agora, como pensava então, que é melhor morrer violentamente e não velho demais. As pessoas falam dos horrores da guerra, mas que arma que o homem inventou que se aproxime em crueldade das doenças mais comuns? A morte 'natural', quase por definição, significa alguma coisa lenta, fedorenta e mal cheirosa.”, George Orwell – Como morrem os pobres – Now, nº 6, Novembro de 1946.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Guerra contra o terror. Contra o terror?

Guerra contra o terror. Contra  o terror?

Dois anciões palestinos na faixa de gaza sentados em uma praça lendo, um está lendo um jornalzinho palestino pobre e o outro está lendo um jornal israelense bem desenhado e rico em sua espeçura de folhas pela grande quantidade de notícias. O segundo ancião cai em rizadas, o primeiro estarrecido é levado a um ataque de fúria; -- O que há de tão engraçado em um jornal judeu? Não está vendo o que nos tornaram estes judeus? Nossas casas foram queimadas, nossos prédios foram todos derrubados, nossas bibliotecas e escolas destruídas, não temos hospitais nem mercados, farmácias e muito menos remédios para dor de barriga, as plantações foram devastadas, nossos filhos e netos não podem sair para rua sem o risco de tomarem um tiro, não está vendo o quanto estamos sendo oprimidos por estes judeus?
O segundo ancião responde então; -- Por que tenho que ler aquilo que vejo? Preciso ler algo que me faça rir pelo menos. O segundo ancião então vira a página que estava lendo para o primeiro e este o lê em voz alta; -- Israel investirá até o fim do ano treze bilhões de dólares na guerra contra o terror palestino.
Não entendendo o motivo da graça encontrada pelo segundo ancião, este por sua vez o explica toda a graça como motivo da dualidade literária nessa notícia; -- Veja bem o terror em que nos encontramos. Treze bilhões é o suficiente para saná-lo, eles logo irão reconstruir até o final do ano todos os prédios derrubados, todas as casas incendiadas, reconstruirão as escolas, investirão no sistema de saúde e colocarão policiamento nas ruas para acabar com esta onda de violência que aflinge a vida dos nossos filhos e netos.