quinta-feira, 19 de julho de 2012

O julgamento de Lúcifer

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O julgamento de Lúcifer é um conjunto de três textos, A declaração de defesa de Lúcifer, Criação e Queda Segundo Lúcifer, A Redenção de Lúcifer. O texto que segue abaixo é a primeira parte desses três. Nessa primeira parte é dada a palavra a lúcifer para que ele possa se defender das acusações contra ele. Ele atacará com audácia todas afirmações que o tornaram réu, em um tom acusativo, Lúcifer rebate argumentos com argumentos, não deixando a desejar, sua postura ereta de uma figura clássica e orgulhosa,”não preciso de advogado nenhum para promover minha defesa”. Com lucidez Lúcifer irá guiar o tribunal a reconhecer sua inocência sobre as ações dos homens, “Culpe-me e mostraras a todos que sois capaz de inocentar verdadeiros culpados”.


O julgamento de Lúcifer
הילל בן שחר

Eis então, chegou o dia tão aguardado do julgamento da personificação do mal. Sentado no banco dos réus, Lúcifer faz ouvir sua voz em um tom lúcido e direto e promove sua defesa atacando as argumentações que o condenavam: promover o mal e corromper toda criação.
Isaías 14:12: "Como caíste do céu, ó Lúcifer, tu que ao ponto do dia parecias tão brilhante?"

A declaração de defesa de Lúcifer

Por deveras, não preciso de advogado nenhum para promover minha defesa, pois na ação do homem ao qual concebeste tu ao mundo, encontrarei todas as afirmações necessárias para sustentar minha alegação de inocência. Porei à prova tua justiça. Aquela que disseste tu aos homens ser a justiça para a justiça, será para mim tua redimissão sobre minha culpa, será esta por direito meu, tudo aquilo que outrora outorgaste tu de mim, o direito de defender-me. Teu veredito será à tu uma prova de que sois Senhor de toda justiça. Absolva-me e responsabilizarás o homem de todo o mal que o mesmo tem feito a si. Culpe-me e mostraras a todos que sois capaz de inocentar verdadeiros culpados, criando bodes expiatórios e justificando todas as tiranias segundo tua vontade, não dando jus tua integridade e imparcialidade perante a justiça de teu próprio tribunal por ti estabelecido. Independentemente do que irás decidir, estará tu decidindo, és tu o juiz em teu próprio tribunal, o fizeste ser tribunal segundo tuas vontades, anseios e princípios.
Admitireis tu ser eu culpado de todos os pecados do homem, tornando todos os homens inocentes segundo seus próprios atos? Reconhecerá tu, minha inocência sobre os atos dos homens, que neles mesmos buscaram de toda forma, por estranhos métodos para dominar outros homens? De que estou sendo eu julgado, senão por depreciar uma obra que por muito se manteve autônoma de teus juízos? Afinal, não fizeste tu o homem segundo tua imagem e semelhança? O que de ti pode ser justificado na natureza de tua criação, se ninguém a não ser tu mesmo te entendes em tua própria natureza? Até onde de ti posso dizer conhecer tal natureza divina, senão pelos mistérios que de ti aos poucos se revelam em distorcidas e controversas ordens? Diz tu para os teus não matarem o próximo e amarem aos mesmos como amam a si. Sobre tuas ordens todos tipo de guerra sangrenta se fez pôr em todo canto da terra. De tua ordem de puro amor e paz, que revelava alguém da mas pura índole, se fez ouvir uma ordem de chacina, ódio, perseguição, destruição e caos, levando a controversa de senhor de amor e paz para o Senhor da guerra e da praga, Senhor dos escolhidos e o destruidor de terras e tomador de posses.
Diz-me tu no que sou culpado, senão de ser o promotor de todo o mal promovido pelo homem, mercador da morte e senhor de todas transgressões dos homens. Até onde posso entender e refutar tal liberdade que deste tu ao homem? A escolha que diz tu ter dado ao homem, deferiu ao mesmo o direito de tornar-se dono do próprio destino, tornado-o então realizador do próprio sonho e criador do próprio caos. No que então compete a mim a responsabilidade pela decisão do homem, sendo que este por sua vez recebeu de ti todo direito e poder suficiente para que o mesmo pudesse escolher o próprio caminho?
Sobre a liberdade deles ao direito de escolha dado por ti a eles, comento que essa entra em contradição, com tudo que tens feito para torná-la ao homem tão criminosa quanto qualquer ação do mesmo. Contraditório pois, ao passo que de tua parte pude ver tu dar ao homem liberdade para fazer escolhas de servir-te ou não, estabelecestes tribunais que julgaram-no culpado por ter tomado então a liberdade de não te servir. É de meu entendimento, contraditório a tua posição de condenando-lo à padecer por não servir-te, sendo que o mesmo havia recebido de ti tal direito. Tão contraditório quanto a sarcástica defesa do ladrão que no tribunal admite inocência por ter sido ele a vítima, tornando a vítima o verdadeiro culpado. Estando este homem por sua vez guiando o julgamento a entender que, a vítima se fez tal por não ter evitado a própria morte, por ter negado a si a chance de ter entregue seus pertences sem resistência, forçando o réu a matá-la, tornando o réu então a vítima da vítima. Digo que como tal criminoso estás a criminalizar em mim a ação defrontadora do homem contra a vontade divina.
Aos juízos do céu toda liberdade é um crime, independente do julgamento das ações dos que são livres. Pergunte a mim qual foi o primeiro crime do homem e te responderei, foi ser livre. Adão e Eva, o simples crime que ambos cometeram, proclamar a liberdade deferida segundo a criação, comendo do fruto da árvore do conhecimento da vida e da morte, isso por si só já foi considerado o primeiro crime, como tal, esse crime precisou ser punido, morte, dor e sofrimento se tornaram punição ao crime de enxergar vergonha na própria nudez, estendendo aos filhos deles todo o crime pelo pai cometido. Vejo que semelhança é hereditária aos pés de toda a natureza, porém partiu da tua criação tornar o crime hereditário, esse é o crime herdado por todo homem, nascer livre. Sobre a liberdade conferida ao homem, é insofismável a responsabilidade que deve recair sobre as ações do mesmo. Aonde existe minha tão sofismada culpa sobre a ação do homem em teu veredito, sendo este por ti dado como livres segundo seu próprio juízo do certo e do errado?
Quando no primeiro momento ouvi da tua boca que o homem seria tua imagem e semelhança, até então não conhecia nada sobre tua natureza, não poderia de forma alguma imaginar que o grande Monarca sentia dor, fome, ansiedade ou até mesmo alegria. Sentimentos como raiva, inveja, ódio e avareza, somente pude ver em ti depois que entendi tua criação. Se a natureza deles é perversa, profana ou sensível a tentações, o problema dessa natureza é por quê os fizeste segundo tua imagem e semelhança. A grande façanha do engenheiro está na realização de sua obra, prédios racham e caem todo dia, mas nem por isso o morador que não coloca o lixo na rua é responsabilizado. Pergunto-me eu se é nobre de tua parte como juiz, me colocar como culpado no crime de corromper toda humanidade. É de alguma forma minha culpa uma expiação para todas as más ações cometidas por eles? Aonde eles são culpados de suas ações, pois essas foram tomados em juízo por eles, no caráter de liberdade que deste tu a eles no primeiro momento da criação dos mesmos, me pergunto, aonde está a minha relação com o mal que o homem comete? Aonde está tua nobreza, ao culpar-me, expiando todos homens de suas ações em mim? Como se eu fosse a personificação dessa natureza sendo eles tua imagem e semelhança, nega agora tu ao culpar-me, toda imagem e semelhança divina tua neles?
Insiste tu em afirmar pois, que os homens tiveram seus pecados expiados. Expiarás tu dos homens todos pecados ao culpar-me? Veja o homem que toma a faca e mata ao filho, que culpa tenho eu de tal ato se de tal já fizeste tu expiação? Sobre a justiça para a vitima me cabe perguntar, aonde esteve nesse momento toda aquela justiça e a tão dita presença imponente desse bem que agora está a subjugar-me? Sobre a justiça ao criminoso, pergunto se a culpa desse crime deve recair sobre mim. Não estará tu sendo injusto, omisso e imoral perante tua própria figura, quando ainda existirá em teu reino o sentimento de impunidade sobre o crime cometido do pai ao filho? Acabará tu por cegar toda tua lei perante o silêncio sobre ato de injustiça promovido pelo pai ao filho, quando em mim todo o pecado do homem for punido? Será tu senão, o Senhor do injustificável, do imperdoável e dos direitos alienáveis, pois todo pedido de clemência do filho se tornará surda perante os estrondos do terror promovido pelo homem ao seu filho. Quando em mim a injustiça da chacina do filho se fizer por justiça, será tua imagem como juiz desfigurada por toda tua injustiça e impunidade do teu tribunal, dado por ti à tua vontade, tua vontade se dará por justiça aos que não veem e aos que não ouvem, tua história não tornará a ser lida para que aqueles que sofreram de toda injustiça não recordem as barbáries cometidas um dia por aqueles que então foram dados por inocentes de seus atos. Nesse dia, nos céus haverá uma surda aurora de perdão, um cego abraço de amor entre o pai e o filho, pois nesse dia em mim o verdadeiro culpado se fará por inocente estando este perdoado. Em minha imagem desfigurada, todas infâmias da terra estarão encobertas, em nome da justiça segundo a vontade divina.
Sobre a bondade no homem contrastar como o mal no mesmo, posso admitir que existem três tipos de homens, e segundo tua criação eles são livres para fazer o que tomam por cabíveis a si. O homem bom e o homem mal são os mesmos segundo tua criação. Havendo somente suas ações para torná-los diferentes. Vejo os homens proclamando suas ações segundo suas vontades e coragens no proveito da liberdade que deste tu a eles. O homem bom é bom quando promove o bem, somente assim ele é bom, esse não vive de suas epopeias de bondades, se o fizesse seria ele mal por estar usando sua bondade para promover-se. A promoção da própria imagem pela bondade conferida ao homem é a ação de bondade de todo homem mal, o mesmo se diz ao terror para promover sua imagem, a barganha de não fazer o mal é ao homem bom que sofre do mal, todo o bem proveniente do homem mal. O ditador usa o terror para controlar seu estado, o estado se mantém em covardia esperando o único ato de bondade possível vinda desse ditador, a bondade de não promover o terror. O homem bondoso é invisível, sua figura desaparece como as pegadas na praia. Somente promover a bondade e desaparecer é o fato de tornar o homem bom apenas bom, o homem mal também promove a bondade, porém essa por sua vez permanece ostentando sua imagem ao homem covarde, o homem mal o torna dependente pois é isso que o homem covarde é, dependente de todo tipo de bondade proveniente de todo lado, não enfrentar o mal, é o que o homem covarde faz de melhor pois reconhece ele sua fraqueza perante as perversidades da falta da bondade e então teme o mal. A única coisa que homem bom que evita o mal pode fazer então é se acovardar e orar para que o mal não chegue aos seus portões, é ai que entra tua imagem.
Sois a imagem de toda a bondade proveniente ao covarde, é dele que vives, pois suas amaças os acolhe por temor em teus palácios pelo nome de amor. Não é da índole do covarde promover o bem mas sim evitá-lo, ele treme sobre o terror de encarar o mal de frente, e a ti ele recorre, pois te fizeste por figurar em tal garantia. O homem que evita o mal não é diferente do homem que promove o mal, ambos vivenciam o mal e cruzam seus braços, por fim, ambos necessitam receber todo tipo de bondade possível. Existem aqueles que promovem o bem, esses sim estão promovendo uma ação. Esses homens nunca dependeram de ti para fazer o bem, portanto esses nunca foram dignos de teu respeito pois deles somente exigiste tu a servidão e a mesma mansidão daqueles covardes de tuas orações. Amor e misericórdia, é para o homem bom, apenas o fruto de sua própria ação para com os outros. Não necessitando esperar a chuva cair para oferecer água ao vizinho, esse também nunca necessitará esperar que o vizinho o devolva favores em troca da sede que este matou com sua água, a barganha da sede pela sede, nunca matou a sede do homem bom. Virtude de servidão é a esperança de que o bem se faça no próprio bem. Por mérito da obediência, tua barganha da sede pela sede, torna toda virtude de bondade apenas dependência de reciprocidade da tua bondade.
És tu o Pai de toda bondade e gostas de mostrar-se como tal, por odiar tu os homens livres, todos eles sofrem tuas tribulações e repressões pelas constantes ameaças de catástrofes, e todo tipo de caos resultando da irá divina pela independência de vontade neles. Nisso eles reconhecem todo direito a liberdade de expressão, e por serem homens livres e bondosos lutarão, levantarão cidades extensas para que teu fogo não queime tudo, levantarão diques e represarão as águas que poderiam ser usado por tua ira, esses resistentes reconhecem para si, que de ti para eles o único amor que pode existir é o amor servil, e os filhos deles tomarão a causa da liberdade do pai.
Para evitar todo o mal que depende de tua vontade, o então bem promovido por ti aos homens, sempre se fez como uma troca, o medo dos covardes é o bem que é servido à mesa do grande homem que os evita todo mal. Do grande homem os evita o mal é proveniente ao covarde, toda a bondosa esperança de não sofrer de suas tribulações. O simples homem bom é bom e não espera nada, luta bravamente em uma silenciosa e cega jornada rumo a lugar nenhum. O homem mal espera temor, respeito e servidão de todos aqueles ao qual toda sua bondade pode ser cedida, sendo essa por sua vez apenas a falta de toda sua ira que pode ser considerada tribulação.
Que culpa tenho eu sobre o homem que passou a reconhecer na tua servidão, um enruste de amor para arrastá-los a servidão e escravidão eterna? Que culpa tenho eu se da tua servidão o homem deseja se libertar? Queres servos, isso já foi a muito tempo percebido por todos. Todos reconhecem seu obscurecido amor fraterno para acumular massas de covardes, muitos talvez entendam tal liberdade na tua servidão e assim o aceitem, outros entendem tais amarras e o negam pois reconhecem todo potêncial escravista desse teu amor. Na falta de terror compõem esse nobre amor sobre os entendimentos no detrimento de teu obscurantismo pelos mistérios das tuas vontades. Homens bons que evitam o mal são aos muitos, essa é a massa dos dependentes de tua bondade. Esses são teus servos. O Homem que promove o bem não consegue ser servo, nele existe autonomia suficiente para não esperar o bem acontecer, eles apenas o faz, ele não teme seu único poder de barganha, que justifica-se em ameaças aos homens pela sua falta de amor, ele entendeu que seus domínios como Senhor se estende ao domínio dele como ser, e isso ele não vai barganhar com você nem que você escureça o sol. Entendo por deveras que sois capaz de fazer um homem bom acatar tuas ordens de assassinato, esses são apenas aqueles homens bons que evitam o mal, os covardes que alimentam tua xenofobia celestial, esses são aqueles que temem a falta de teu amor no entendimento do terror acarretado pela falta de tal favorecimento.
Nunca o homem bom se dará à servo da vontade divina, nem que para isso se faça partir a terra em dois e cair-lhe todos os membros do corpo, ele sabe que tua servidão obedece tuas vontades para fazer o que é certo e o que é errado sobre o entendimento pessoal das virtudes dele como ser humano. Nessa independência de vontade tu és levado a odiar o homem bom. Somente o homem mal está passível a tua servidão, da mesma forma que o homem bom que evita e teme o mal, ambos em covardia estão dispostos a barganhar pelas predileções de um amor servil. O homem que somente evita o mal é passível a servidão porque ele é covarde, ele precisa do bem que ofereceste tu aos teus servos. O homem mal vive de toda bondade que pode obter, nisso ele é dependente de tua bondade pois reconhece tua superioridade, nisso ele é covarde e sobre essa vantagem de bondade ele barganha a própria liberdade. Homem mal e o covarde, ambos vivem de qualquer fonte que prover qualquer tipo de bondade, é simplesmente do bem que recebem que os mesmos podem continuar existindo, ambos são os mesmos, ambos são maus e covardes. Bondade, é isso que a servidão no céu oferece, a bondade de não deixar o mal acontecer aos próprios servos, portanto o homem bom é teu inimigo, ele possui coragem suficiente para não barganhar o próprio filho em troca de nenhum bem, nunca colocaria este seu único filho em um altar para sacrifício, em troca de tuas vantagens, nunca tremeria por medo do terror imposto como forma de aceitar teu amor. Reconhece ele, tal amor e luta contra esse enruste, ele luta pela liberdade de dizer-te não quando pedires dele o único filho, mesmo que o ameace a vida, nunca deixaria ele que seu filho em tuas vontades padeça, o amor dele pelo filho será sempre maior que o medo que tu pode o impor. São assim teus servos, todos aqueles covardes que dentre todos os homens pode tu controlar, dar ordens, tirá-lo qualquer coisa a qualquer momento, pedir-lhe sacrifícios de tamanho terror que somente cabeças totalmente doentes podem cumprir, fornecendo-lhe por conforto todo tipo de bondade possível, resultada em um amor baseado na obediência de uma cega servidão eterna.
Adoras ter para ti o papel de o Senhor da Paz e da Bondade, e sendo os homens independentes de ti, somente seria tu como qualquer outro ser que evita o mal, o bondoso senhor de escravos preservando seu fiel servo em servidão. Afirmo que condenaste tu o homem a promover todo mal, e pelo mal ao mesmo cometido e por ele promovido culpas a mim. Com as chamas que dos céus nem os inocentes poupaste tu, vens agora justificá-las como vítimas no mal que promoveste tu a elas em um espirito incendioso de vingança, no pecado que se fez figurar em mim o pai de todo mal. Mataste tu os filhos do homem afogados, por não obedece-lo e por não teme-lo como figura sagrada, dele pediste tu os filhos aos altares que jorram sangue dos filhos de teus servos, fizeste deste então tua ira nos filhos dele realizar para curva-lo a servis. Poupaste tu o ímpio para condenar o justo por seu pecado, poupaste tu o ladrão para que ele fizesse dos homens bons, covardes, para reconhecerem o terror nos homens maus e em ti a única segurança, és tu ao covarde a segura morada, pois a ti recorrem para fugir do ladrão, és amigo e sócio do ladrão por não combate-lo quando podia.
De minha parte, não viste tu fogo nenhum descer dos céus e queimar cidades. Somente tuas ameaças se fizeram ouvir, e de tuas ameças se fez o fogo que queimou as cidades dos homens, das tuas ameaças se fizeram elevar as águas que afogaram os filhos dos homens. Aos homens bons se fez tua ira, aos inocentes tiraste tu a vida. Os covardes caíram ao chão temendo e tremendo por medo de tua ira. Como se fizesse de mim tal fogo que incendeia cidades ou a tal ira que mata, recai sobre mim toda culpa dos homens terem sido por ti queimados e afogados. Assim como usas a imagem do ladrão para criar de ti a segurança aos covardes, usas minha figura na promoção de teus ataques terroristas para curvar as servis dos homens, porém diferente do ladrão minha figura nunca se fez enxergar e minhas ameaças nunca se fizeram ouvir.
Pela conduta de teu incendiário espirito de vingança sempre voltar-se contra todos, como qualquer homem mal que domina o outro homem pelo medo do mal e necessidade do bem, o único amor que receberás será o amor servil, algo que não parece abala-lo muito, pois não cansas de proclama-se Senhor dos Senhores, não cansas de conjurar chamas dos céus para impor as cidades dos homens tuas ordens e teus desejos. Nunca matei nenhum primogênito nem os afoguei, nunca pedi ofertas.
Quanto minha responsabilidade de deturpar tua imagem a eles, tenho meu argumento de defesa na dúvidas que nasce neles sobre teu caráter vingativo, esta por sua parte aflorando um sentimento de menosprezo naqueles dado à tua servidão, não tenho culpa nenhuma sobre essa aptidão que deste tu a eles de entender o sentido da palavra liberdade, subjugando eles a servidão em que vivem. Do dilema que fora levado o homem, entre servi-te sem sofrer ou ser livre e sofrer tua ira, teu caráter de beleza, poder e elegância, se desfigura em horror, controle, e terror. Dessa tua ira somado a aptidão deles de duvidar e questionar teu caráter vingativo, se fez brotar do meio de uma escuridão de servidão enrustida por amor toda controversa despótica, que figurava tua imagem divina como o Senhor dos escravos, e os homens bons acabaram por não querer servir-te, e nisso não consigo ver nenhuma participação minha, somente posso ver a capacidade engenhosa que tua criação possui de questionar a servidão e lutar pela liberdade. No que sou eu diferente deles, eles querem ser tão livres quanto tu és. São a tua imagem e semelhança, eles querem ser deuses, querem tomar o papel que deste tu a eles, querem ser tua imagem e semelhança, e não a tua mão e a tua perna para que as possa amputá-las quando assim ti for conveniente.
Ao passo que podes me responsabilizar por ser o pai da maldade nos homens com certeza posso afirmar que não sois tu o pai da bondade nos mesmos. Aceite o fato de que os homens corajosos não vivem do bem que diz tu ser o único que existe, ao passo que somente os homens covardes e maldosos vivem de tal bondade, o covarde vive da bondade que recebe por medo do mal que exite, o homem mal vive de toda bondade que pode barganhar contigo, bondade essa com o qual alimenta tu dodo homem covarde. O homem de coragem somente vive se puder fazer a bondade. Viver no meio de uma mistura de bem e mal e nunca deixar de promover o bem é o que torna uma pessoa boa, além disso tudo se torna promoção da imagem, que é o papel de Deus. Sois o Monarca que está alimentando o covarde com sua esperança de bondade. Promete tu vida para aos submissos e mansos, preferes o pobre por quê ele é fraco e submisso, odeias tu o forte por sua independência, não sois diferente de nenhum homem mal pois tu depende do homem bom que evita o mal e que teme o mal. Necessita tu do homem mal, pois esse por sua vez pode ser usado como meio de terror para alimentar o medo dos covardes que a ti recorrem pedindo segurança. Em suma a natureza divina é a natureza da monarquia humana por preservar o estado de dependência e servidão em todos os homens de teu reino. Sois portanto tão mal quanto todos aqueles que se alimentaram da esperança do homem covarde, medíocre, miserável e do homem submisso, aqueles únicos que poderiam manter teu status de Senhor, Misericordioso, o Pai Amoroso, os únicos que dependeriam de você.
Sois mal a ponto de dizer aos covardes que sacrifiquem seus únicos bens em vida, testando ao limite sua capacidade de submissão e mansidão sobre as vontades divinas. Somente o controle pelo medo o torna Senhor, sois o Senhor dos submissos e covardes, sois o Senhor dos que fugiram e se acovardaram perante o mal cometido a eles pelos próprios irmãos. Acumulaste muito desses covardes e submissos no céu, digo que os que querem ir para o céu são apenas aqueles covardes que não possuem coragem suficiente para lutar pelo céu na terra. Sendo então o céu feito de homens covardes digo sem sentimento de perjure, és tu tão mal quanto todos aqueles que asseguraram seu domínio no medo daqueles que apenas evitavam o mal. Alimentando-os com tuas falsa e esperançosa salvação, testando o pai e o filho, botando um contra o outro, fazendo-os apostar quem era mais digno da servidão celestial, fazendo do homem mal tua faca e de tua promessa de salvação teu aconchego.
Sou vítima deste non-sequitur aonde tentas colocar a mim como sendo o pai de toda a maldade nos homens personificando-me em uma estátua moribunda e inominável. Nesse non-sequitur lhe pergunto, ao passo que assumes serem os homens independentes de ti para promover o bem, por que os mesmos precisariam de mim para promover o mal? Aonde me encaixo nessa sua premissa? Coloque-me como pai da maldade nos homens e estareis assumindo perante juízo vossa megalomania nessa tua criação, pois querias ter para ti toda a bondade que os homens e os filhos dos homens necessitassem, tornando-os tábula-rasa aonde a única vontade que teriam seriam as tuas. Queres ser mais do que portador de toda bondade, queres ser a personificação da bondade. Queres que eu seja mais do portador de toda maldade, queres que eu seja toda a maldade. Se nenhum homem precisa de ti para ser bom e aceita tu isso, então no que sustenta tua alegação de que sou eu a inspiração de todo mal? Se os homens precisam de ti para fazer o bem e tens para ti toda personificação do bem, não serás nada diferente de mim e poderás assumir que sou eu realmente quem desencaminhou tua criação, sendo tu tão profano e egoísta quanto eu, pois seremos ambos personificação, e personificação por personificação não serás diferente de mim, sendo assim então tu um Megalomaníaco. Se toda pessoa precisa de mim para fazer o mal então elas sem mim serão boas, sendo ao mesmo tempo, todos os homens carentes de ti para fazer toda bondade, sem ti serão todos eles maus, portanto não precisas de mim para que o mau exista, precisas apenas abandoná-los, e sendo assim fizeste tu a profana criatura cuja qual agora tenta desfazer tua própria culpa nessa criação. Tire de mim o título de pai do mal e de ti o título de pai do bem, como julgará tu a ação do homem? Se assumires que são os homens dotados das capacidades suficiente para decidir certo e errado, estarei inocentando-me dessa acusação, se assumires que os homens não possuem capacidade para julgar certo e errado sem mim e sem você, estarás assumindo dai para frente sua megalomania nessa criação.
Diz-me tu, no que sou culpado? Criastes uma humanidade que até tu mesmo por passagens assumistes arrepender-se de tê-los feito. Sou eu quem dá liberdade? Sou eu quem dá vida? Tuas buscas por justificar em terceiros tuas falhas o tem feito até culpar os insetos de frequentarem teu jardim. Por algum acaso és tu o jardineiro que está a destruir as belas flores por acumularem insetos, na verdade do meu entendimento sobre o certo e o errado, sei que o jardineiro tem por obrigação entender as flores e preservá-las dos insetos. És tu que está julgando a mim segundo uma natureza tão propícia ao bem quanto ao mal em todos homens. Se odeia tu tanto o mal, por que não criaste tu máquinas sem pensamento que repudiassem o mal no mesmo nível? Assumo que seria impossível pois tu mesmo os criaste conforme tua imagem e semelhança.
São as ações dos homens repudio para ti por quê quiseste provar tu ao mundo que sois perfeito e podes criar máquinas de perfeição ao vosso nível, nisso deparaste tu com a grande independência de tua criação, a ponto de tornar tua natureza a todos outros, algo frágil e sensível, corrupto e profano. Por serem eles a realização de tua grande obra, os seres que refletem sua imagem e semelhança, e por serdes a personificação da perfeição, não toleraste que vossa frágil natureza ficasse exposta a críticas assim como a obra decaída do engenheiro expõe a impotência deste na arte de criar, então tiveste tu de procurar alguém para culpar, e por fim encontraste. Posso ser todo o crime pelo homem cometido personificado algum dia em uma estátua moribunda e inominável, porém para ter sua criação tão pura como diz, sendo essa sua imagem e semelhança, terás de talhar para ti uma estátua que personifique essa expiação, digo que essa estátua terá de sair da pedra mais dura do canto mais escuro e frio da mais profunda caverna conhecida, e somente de lá, da mais dura e mais fria que encontrares, naquela extrema escuridão, tão escura e desconhecida quanto a tua verdadeira natureza, é dessa pedra que terá de fazer tua estátua expiatória, pois ela deve ser dura o suficiente para ostentar tal imagem expiatória, sendo que a imagem que queres talhar nessa pedra será de todas da expiação mais vergonhosa e nojenta que haverá, portanto essa estátua terá de ser forte o suficiente para não rachar aos juízos dos inocentes que padeceram nas mãos daqueles mesmos que hoje inocentas ao jogar todos os crimes deles em mim.
Na vergonhosa e omissa megalomania perjuraste em teu próprio tribunal, usando contra mim um non-sequitur ao culpa-me de todas maldades que os homens cometeram, não posso ver fundamentos que sustentem essas denuncias sem que lhe veja negar o livre-arbítrio ao qual conferiste tu aos homens. Prometendo-os os céus ou condenando-os ao inferno segundo as ações dos mesmos, nega tu a relação do homem com sua autônoma ação que não depende de nenhuma das vontades, nem minha nem tua para existir? Negas tu que o filho mais novo inveja a predileção do irmão mais velho? Criaste tu nações e levantaste tu os teus prediletos? Por acaso não criaste tu o cenário para o irmão mais novo matasse o mais velho? Quanto dessa sabedoria que está a subjugar-me não havia em ti que não pudesse prever as possibilidades de tais fato ocorrerem? Criastes tu as regras que predominariam no meio de teus escolhidos, destes tu a eles desde o princípio o livre arbítrio de obedecê-lo, aonde está minha culpa deles não o terem acatado, sou eu o culpado do filho não amar ao pai? Afogaste tu crianças inocentes, queimaste tu cidades inteiras, mataste tu primogênitos para tuas gênesis, levantastes tu reis e derrubastes príncipes. Servos foram levantados por ti para servir teus prediletos, contra seus senhores os servos se levantaram para tomar a própria liberdade, responsabiliza-me de tê-los libertado tomando-os de teus servos? Tomei os servos de teus prediletos a noite? Os dei a liberdade ao dia? Aonde no escravo que se levanta contra o teu predileto está minha voz sendo ouvida, senão o próprio escravo sentindo sua escravidão pesar, por fim tomando toda liberdade para si? E se foi incitado por mim, aonde está minha culpa se teus fiéis se tornaram miseráveis, tão miseráveis a ponto de serem como tu, donos de outros homens e necessitados da servidão sega e covarde? Como tal teus prediletos em sua predileção se tornaram maus, por acaso não sabia tu que a bondade não é genética? Criaste tu o céu para os loucos e o inferno para o lúcido, independentemente de tua vontade de submissão aos homens que se levantam contra teus escolhidos, eles se levantaram por quê pessoas boas não sujeitariam seus filhos a uma servidão eterna.
Não precisei fazer nada para por o filho mais novo contra o velho, bastou o pai levantar contra o mais novo predileções ao mais velho, então assim o pai o fez dando mais a um e negando cada vez mais ao outro. Não precisei fazer nada para por o servo de teu predileto contra ele, o próprio senhor do servo o fez ao negar aquilo que todo servo almeja, a liberdade. A luz da liberdade é para o servo apenas um sonho, pelo menos enquanto ele não se acorda e levanta contra seu senhor. O filho mais novo briga pelo amor que faltou, Caim matou Abel por tua predileção aos altares ensanguentados. A nobreza da liberdade na terra sempre foi para ti algo abominável, digo isso as massas que foram arrastadas de suas próprias terras e dadas a servir na construção de tua nação. Mandaste secas intermináveis para curvar ainda mais a cerviz daqueles homens e mulheres fazendo-os sofrerem por suas crianças, dai então pediste tu o amor deles do dia para noite e os afogaste depois para beneficio dos teus escolhidos.
Sem desprezar os detalhes das guerras pelas predileções divinas, sou levado a me perguntar, aonde está minha culpa nesse cenário de descaso que tem tu como pai e criador, com os próprios filhos e criação? A bondade nos homens é uma palavra que a ti não se faz por mérito, pois aos homens bondosos somente mandas tribulações, que para nada mais servem a não ser para incliná-los cada vez mais a cerviz. Assim como o irmão mais velho foi derrubado pelo mais novo, o homem de cerviz inclinada irá se levantar e derrubá-lo. Toda liberdade se faz em suma no próprio contexto da servidão assim como os tempos de guerra se arrastam aos tempos de paz. Tribulações são das piores às mais terríveis das formas de acorrentar servos e enclausurar suas vontades, dessa forma castiga teus servos e aos covardes obriga a temê-lo, por sua natureza despótica, sois então monarca. Nunca se fez ouvir o som da minha voz, não existe em mim culpa nenhuma por tê-lo feito confundir as línguas dos homens, se assim o fosse, deveria tu culpar-me também de corromper o próprio monarca, se assim pudesse tê-lo feito, o grande monarca deveria dai para frente assumir sua tendência a profana corrupção a qual vem condenando em mim as mesmas de todos homens. Portanto com intuito de expiá-los em mim perjuraste tu em teu próprio tribunal.
Quando teu perjúrio em teu tribunal vier à tona, nesse dia não haverá mármore nem ouro suficiente para cobrir as rachaduras das paredes do teu palácio. Esse palácio sustentado sobre a impunidade megalomaníaca de um despotismo cego não aguentará o fim de seu monarca, monarca esse que nunca se fez entender a própria natureza. Nesse dia todos saberão que o eterno também acaba, e que não és tu eterno além de tua auto intitulação. Tremes por saber que esse dia pode chegar, essa megalomania é seu ponto de força, ela o sustenta, sem ela não sois o monarca que és, sua capacidade de manter todos aos seus pés, sendo intolerante com os que prezam a liberdade é contraditório a sua personificação de bem. No dia do fim do grande monarca os homens descentes reconhecerão a liberdade um do outro e tomarão para si o dever de defender esses direitos, pois reconhecerão suas fraquezas, e nessas fraquezas se unirão formando um levantante contra seu déspota. Assim o déspota. dos homens virá a cair e desaparecerá ao fim como se o eterno fosse apenas mais um momento.
Afirmo que somente sois monarca por quê sois déspota., entendes humildade por servidão, tire o homem da servidão e lhe de liberdade e terás humildade em fraternidade, porém fraternidade é resultado de um laço direto que exige reciprocidade, e isso que não estás acostumado a ser, recíproco. És tu o Senhor e isso por si só o exonera da responsabilidade com a fraternidade, e como tal não seria tu o Senhor se fosse de igual para com seus servos. Fraternidade é uma palavra não pode existir para alguém denominado Senhor, muito menos pode ser considerado virtude de alguém que levanta prediletos. Suas predileções empurraram os homens as contantes guerras que devastaram terras, colocando sobre muitos homens a dúvida de seu amor de pai, nisso deve tu justificar a ti e não colocar em mim o espirito de contenda dos homens, em tuas predileções os Caim mataram os Abel. Sou eu culpado do acarretamento de suas predileções? Tire a culpa de mim e verás que sois tu o verdadeiro Satanás o verdadeiro Diabo No dia que me inocentares serei somente mais um que foi vítima de suas predileções, serei eu apenas alguém em algum lugar que escolheu o destino de não lavar vossos pés, como tantos outros somente serei eu, mais um dos que não quiseram humilhar-se em servidão, com a única diferença que acusa-me de ser o primeiro a ter negado servir-te e disso não tenho vergonha nenhuma, somente um forte sentimento de orgulho e independência.
Do mais não espero reconhecimento nenhum de sinceridade, afinal se o mal está em mim, o que sobra de bom em ti que não pode tocar no homem na mesma proporção em que acusa-me telo feito? Levante um homem e veja seus filhos, o pai os cuida e os acolhe, os filhos devolvem o amor ao pai, sem prediletos o pai tem amados, com prediletos o pai tem servos, o predileto ganha por servo o menos predileto. Levante um Servo e veja seus filhos, eles nascem servos do Senhor do pai deles, eles cegarão em juízo sua servidão e fugirão a noite para ser livre pela manhã, a pergunta é, aonde no caminho desses homens eu me encontro com eles. Não tenho nação mas dizes que minha nação cega a sua, sois o Senhor da nação dos escravos e senhores de escravos? Não tenho prediletos mas afirma tu ser eu incitador de rebeliões e promotor do caos. És tu o senhor dos prediletos, o Senhor dos que escravizaram a terra e sofreram de todas revoltas. Está tu a dizer que incitei toda revolta que deu a liberdade aos escravos que mataram seus Senhores a noite e deram a liberdade aos seus filhos de dia? Não tenho escravos nem filhos, mas dizes ser eu o pai da mentira e senhor da discórdia, não sou Senhor de ninguém. Não és tu quem mantem palácios aonde a servidão é o e status de nobreza? Não és tu que prega por toda terra humildade por servidão? Teus filhos não são os chorosos que aos teus pés caem em troca de predileções regidos pelas tuas vontades? Não foste tu que disseste aos teus prediletos que poderiam tomar toda a terra para si com todas as riquezas que nela continha? Deste tu essa terra e tudo o que nela havia por direito deles, eles a requisitaram com toda onda de violência, terror e morte, apoiados por ti para teus favorecimentos.
Veja Abraão que sacrificaria seu próprio filho em nome de uma servidão, cuja única promessa recebida em troca da vida do seu filho, direito de reclamar servidão a todos homens na terra em todo canto da terra com tudo o que nela encontra-se. O amor em servidão deu a um único homem, todo direito que todas tuas criaturas mereceriam. Receber por direito toda a terra e toda cabeça viva, é a barganha com aquele que mostra-se disposto a sacrificar até um filho no que conta aos privilégios de tuas vontades. O que acontecem com todo amor que diz tu ter por todos que não fizeram parte do teu acordo senão virar escravo do teu predileto? Quando um homem bom aceita a proposta de matar o próprio filho em troca de escravos e nações por sua obediência, não consideramos esse homem por sua vez mal pelas suas ambições de domínio? E o amor desse homem que sacrificaria o próprio filho, até aonde pode ter sido um amor barganhado? Moisés ordenou aos seu soldados que matassem os midianitas, homens, crianças e mulheres velhas, poupando somente as virgens para eles, aonde homens bons poderiam acatar tal ordem? Sobre minha visão todos esses homens que acataram tal ordem podem ser considerados maus, não existe argumento nenhum que justifique o mal. Usas tu o mal para julgar o que dize tu ser mal? Justifique em mim tuas maldades e terá provas de que entortastes tua voz de pacificador para Senhor dos assassinos e estupradores.
Se sois Juiz dos juízes dizei-me, a quem peço justiça para ímpia justiça corrupta ao decadente perjúrio do teu martelo? Pois não sei quem no fim irá jugar-te por perjurar em teu próprio tribunal. Tenho minha gênese em tua natureza, sou um pouco de ti, e disso tenho vergonha, pois ao que sei não barganhei amor em troca de conforto pelo terror de viver e sofrer, tu o fizeste, e ainda me acusa de ser o pai da mentira. O amor do do filho é mérito ao bom pai, o amor do servo é barganha ao homem mal. Admites ter servos e todos amá-los, que mérito tens desse amor senão somente barganhas? Por acaso não sentes toda tua nobreza apodrecer em sua natureza de maldade e crueldade que alimenta a covardia daqueles necessitados de servir-te? Ponho em questão tua argumentação de que sou eu o pai da mentira e da maldade, no que menti e no que fiz eu o mal? A quem promessas fiz e quebrei para ser eu mentiroso? Prometi salvação para barganhar de alguém o amor? Dei os filhos dos homens para escravos de meus prediletos?
Veja o bom samaritano quem lhe mandou ser bom? Não eram os de Samaria todo restolho ao qual vinha tu ignorando? Eu não o mandei fazer o mal, ele se propôs a fazer o bem, aonde estava seu amor nesse momento? Aonde estava o meu mal nesse momento? Nenhum de nós esteve lá exercendo influência, o restolho fez algo que você sempre negou ao homem, a independência para promover o bem, independente da vontade divina todos promovem o bem ou o mal. Percebo por deveras que Isso frustra teu sentimento megalomaníaco, por ver o quanto te esforças para ter o crédito pelo bem que os outros promoveram por conta própria, puxarás a brasa para teu lado ao dizer que ele o fez ao ter sido tocado por você? A negação do potência l alheio é um sintoma de uma doença, e como tal o grande monarca está doente, depois de mundos e tempos não sente a liberdade de vossos servos escapar-lhe por entre os dedos? Não temes chegar o dia em que teus servo te ferirão a noite para serem livres pela manhã? Me chamas de decaído por ter ferido-lhe os olhos e tendo por fim fugido a noite e tornado-me livre pela manhã. Por muito tempo escravos agradeceram a estrela da manhã que os guiou na intrépida noite de fuga. Sou eu guia na noite intrépida da fuga de teus escravos e servos, sou a estrela da manhã, aquela que indica aos homens aonde a luz está raiando para que não se percam no emaranhado mato de teus domínios.