sábado, 4 de junho de 2011

O nascimento de um novo tempo – Confundindo Porquê e Como, como assim por quê?

 
     Quando se deve usar o Porquê ou o Como? Essa é uma analise filosófica sobre o sentido dessas duas palavras, quando devemos usar e qual o momento de usar. Em pesquisas cientificas não é habitual o uso do porquê pois ela remete a um sentido, como é a melhor palavra a se usar para conseguir qualquer resultado cientifico, na visão religiosa o uso do porquê é constantemente aplicado pois ele fácil de responder. Por que eu estou aqui ou por que minha vida está enfrentando tal processo, o porquê é relativo ele depende da necessidade em questão pois ele exprime o sentido de fundamento ou aplicação de algo. Por que você resolveu fazer isso? Fica claro a tentativa de compreender o sentido do que foi feito. Essa ferramenta infelizmente não pode ser usada para o entendimento de eventos físicos ex. Por que a terra gira em torno do sol? Poderia haver nessa simples questão várias respostas as quais em sua grande maioria seriam infantis e inúteis, “_a terra gira em torno do sol para podermos calcular os anos(infantil mas válida)”, na sua natureza o "porquê" como sendo uma posição primária necessita do "como" como uma ferramenta validadora do caso.
     As premissas são um conjunto de "porquês" em um laço de "como". Porquê as coisas acontecem ou como elas acontecem, qual parece ter mais sentido para formular uma resposta lúcida? Na construção das nossas ferramentas sociais nunca(repito nuca) fazemos uso do "porquê" como sendo a primazia do nosso processo de construção, por quê? Existe algum sentido na violência familiar ou como acontece a violência familiar? Por que algumas pessoas praticam assalto a mão armada enquanto outros optam por trabalhar? É mais importante é saber como acontece ou o "porquê" de acontecer? Posso citar vários sentido ou proposito para uma pessoa a assaltar outra, mas como ela foi levada a tomar tais decisões poderia ser mais útil como uma medida preventiva para futuras pessoas não assaltarem desenvolvendo assim uma ferramenta preventiva na sociedade. Existe algum sentido ou proposito nas ondas de violência que cravam fundo suas cicatrizes na sociedade? Talvez até exita(na verdade existe) pessoas tiram vantagem em cima desse fato, essas pessoas são o propósito, mas os propósitos são ou podem ser mutáveis de individuo para individuo. sendo assim somente deveríamos nos perguntar como os índices foram aumentar tanto ou talvez como ele se mantem tão elevado. Na construção do conhecimento científico, não nos perguntaríamos o porquê das leis físicas mas como elas atuam e quais proveito poderíamos tirar de tais leis, logo a ideia de como funciona viraria um porquê, por que eu preciso da luz elétrica? Ou após o entendimento de como forjar o ferro, por que preciso de uma ferramenta a base dessa técnica talvez uma faca? O porquê é o resultado de um como.
     Ainda está um poco difícil de entender? Tente não mais se perguntar o porquê de você está vivo mais como você chegou até agora aonde está. O porquê de você está vivo é porque você tem um sentido para viver, pense, existe algo em sua vida que você não quer perder, quem sabe o seu sentido de vida não seja seus filhos ou seus amigos ou até mesmo aquele tão esperado encontro que você marcou para o fim de semana(logo você arruma outro). Porquê a roda gira ou porquê o carro existe não responde o real funcionamento da roda nem do carro, a função ou utilidade de qualquer coisa pode ser notado em seu simples funcionamento e aplicação.
     Uma regra simples para uma limpa visão do mundo metafísico, primeiro pergunte o porquê, segundo pergunte como, agora uma simples para o mundo físico se pergunte "como" e depois "porquê". Por que eu estou aqui, como eu cheguei aqui, nos humanos podemos encontrar rápido o "porquê" de qualquer coisa, conseguimos criar sentido para qualquer coisa, William Paley (14 de julho de 1743 - 25 de maio de 1805) foi um filoso teólogo que empregou a ideia de sentido para tudo em sua “analogia do relojoeiro”.
    Paley fala sobre um andarilho observador caminhando por um campo, aonde ele vê uma pedra e logo tira por conclusões que a pedra sempre esteve ali, mais avante esse observador encontra um relógio no campo e tira por conclusão que houve um criador para o relógio, o relógio é complexo o suficiente para que o mesmo possa de alguma forma torna-se impositivo de existir sozinho ou por qualquer tipo de acaso venha a existir, o relógio somente pode funcionar com todas as peças juntas, se tirarmos uma única peça o relógio não funcionará direito, por conclusão somente um relojoeiro poderia ter feito tal sistema. A primazia de Paley é "porquê", por que um relógio estaria ali, claro ele que somente pode expor que o relógio tem um "porquê" de estar ali, para ele se relógio existe o relojoeiro também existe e somente um relojoeiro para construir um relógio. A filosofia de Paley é debatida no livro O Relojoeiro Cego de Richard Dawkins. Paley como todos os outros evangelistas se encontram em uma busca eterna do Porquê, em suas analizes tudo se orienta a uma causa primaria, assim também Tomás de Aquino com seu argumento cosmológico para provar a necessidade de um criador, trazendo a ideia de que a existência do universo somente poderia ser provada com a existência de um criador, não logo demorou o seu argumento foi invalidado pois a causa primaria do universo também necessitava de uma causa. 
     Paley e Tomás tentam reforçar a ideia de uma causa primaria para a existência do universo mas sem que a mesma causa do universo não necessite de uma causa primaria, na causa primária de Tomás, Deus criou o mundo e tudo e isso somente pode ser concluído pelo fato de que nada não pode vir do nada então o universo de Tomás começa a tomar sentido numa visão antropocêntrica, o homem é agora a causa do universo e tudo o que tem nele, e a causa do homem é o Deus bíblico, na visão da causa primaria de Tomás todos os humanos e seres vivos foram feitos com o único objetivo glorificar eternamente Deus e viver com ele em comunhão eterna. Tomás também percebeu o erro em sua premissa(“Argumento cosmológico”).
      O homem é a causa do universo assim como Deus é a causa do homem, logo o que causa Deus e qual a sua origem? O professor William Lane Craig explica que esse tipo de pergunta é infundamentável e ele diz que não se deve perguntar ou tentar achar a origem de Deus mas simplesmente glorificá-lo, em suas palavras Deus é um ser fora do nosso tempo sendo então atemporal e eterno em relação ao nosso tempo(“Eu tentei entender mas não muda muito a visão de Paley e Aquino”), de certa forma Craig inverte o argumento de Aquino para proteger a sua visão de Deus como sendo a causa primaria do universo, portanto como você pode contestar Aquino em sua premissa ele pode contestar você por tentar usar Aquino para invalidar a causa primaria de Craig(“Ufa!”), ou seja você não pode provar que Deus existe explorando o universo como causalidade assim como você não pode provar que ele não existe por fazer uso do universo como uma visão de causalidade culminando que Deus também é merecedor de uma causa.
      Por que eu estou aqui pode ser reduzido a simples ideia de qual é o meu sentido de existência, mas essa pergunta não fomenta uma resposta útil para uma conclusão, eventos casuais podem ter acontecido em sua vida que o fez ter um ideal de vida(“proposito”), assim como se outro evento tivesse sido disparado você não teria de perguntar o porquê de você ser o que é. Para reforçar Paley, Peter Atikins foi questionado em uma palestra,“_ Vocês cientistas não perguntam o porquê das coisas mas sim fazem o uso do como, por que então não se perguntarem o porquê das coisas?”, sentindo a intenção da pergunta Atikins toma frente e responde “_Senhor nos não devemos usar o porquê justamente porque ele é uma pergunta idiota”. A posição de Atikins foi lúcida visto que os questionamentos dos espiritualistas é o porquê, para ele o sentido de algo se encontra no próprio ato do mesmo em existir.
     No Debate “Does the universe have a purpose?(O Universo tem um proposito?), debate sobre o proposito do universo, Richard Dawkins fez referencia ao pensamento de Atikins e o reforçou, o uso do porquê como sendo uma questão limitadora ao ponto de visão, limite de um propósito ou finalidade, para defender a ideia da utilidade do porquê o professor Willian Lane Craig se apressa a dizer que o fundamento questionável em um porquê pode ser considerada a ferramenta do progresso da humanidade, de uma certa forma até concordo com a necessidade dessa ferramenta, minha única contestação é o limite do porquê, o porquê exige uma resposta e essas respostas devem ser confirmadas com as perguntas referentes a um como. Um grande debate entre Matt Ridley(geneticista), Michael Shermer(Editor da revista Exceptic)e Richard Dawkins(Autor de Deus um delírio) VS Rabbi David Wolpe(Autor de Why Faith Metters), William Lane Craig(Filosofo, autor de Resonable Faith), Douglas Geivett(Professor de Filosofia, teísta).
     A proposta lançada pela parte Teísta foi a proposta da necessidade de existência de Deus para afirmar que o universo tem um proposito, em sua posição defendida se Deus existe então o universo e todas as coisas vivas tem um proposito, se Deus não existir então o universo e os seres vivos não tem um proposito, se Deus existe como a bíblia fala então o proposito da existência do universo e de todos os seres vivos se encontra em viver numa comunhão eterna para glorificar a Deus. Os teístas defendem então a visão de um proposito para o universo baseado na existência do Deus bíblico, sendo que o proposito do universo é o de glorificar a Deus em uma comunhão eterna. Essa é uma visão arrogante prepotente e egocentrista defendida que de certa forma muito perigosa, pela posição dos teístas ela se transforma no causa primária(causa primaria = fundamento, quando defendida por um grupo é o que chamamos de fundamentalismo), se você não concorda em glorificar Deus então sua vida não estará servindo para cumprir os reais objetivos do universo, colocando você na posição de sem sentido e o isolando. Você leitor entende a necessidade de tal existência explicitada pelos teístas para poder formular um sentido para um proposito para o universo? Não vou contestar a proposta do professor Craig, mas a sua afirmação merece uma vista crítica, simplesmente essa visão ignora todo o sentido do porquê pessoal, independente de qualquer proposta para um proposito universal cada um terá o proposito pessoal, então qual é o proposito do seu universo? Qual é o seu porquê?
      Vou ser ousado com o leitor e continuar tentando construir uma critica limpa de sentimento e tentar chegar a um ponto aonde o leitor consiga entender os riscos das afirmações teístas propostas nesse debate. Primeiro se Deus não existe então o universo não tem nenhum proposito ou um sentido de existir, incluindo todos os seres vivos que nele existem, esta é uma visão de um sistema pré status quo, imagine que entre em vigor a ideia de que Deus é a causa primaria do universo, baseado na proposta do professor Craig, e se você não quisesse de forma nenhuma praticar os rituais de glorificação de Deus, escolha qualquer ritual religioso, imagine leis de policiamento social, aonde as pessoas que não fossem a igreja em vigor no dia de adoração fosse preso ou até torturado, obedecendo as leis bíblicas de apedrejamento, os gays sendo apedrejados, prostitutas sendo apedrejadas, a imposição bíblica sobre a ciência, Adão e Eva sendo ensinados na escola, a destruição de membros ou integrantes de outras religiões, as leis sociais sendo fundamentadas nos dez mandamentos de Moisés com punição a nível das palavras e exemplos mostrado por Moisés, o fim da internet, o fim das redes de televisão o fim das pesquisas cientificas que trouxeram a cura para muitas enfermidades, o assassinato de esquizofrênicos sobre a contestação dos mesmos apresentarem sinais de manifestações demoníacas, fim da camisinha(essa iria realmente ferrar a humanidade).
     E tudo isso aconteceu por causa da forma como interpretamos o porquê, nesse mundo hipotético o porque foi o grande problema, se após esse porquê para a causa primaria de Craig tivesse você se perguntar como sua mente podera enxergar além de qualquer proposta e você será uma pessoa relamente livre das causas primarias alheias. Santo Agostinho disse “A razão é a meretriz de Satanás”, como é a razão para o porquê.
    Ufa texto longo. Aqueles que leram até aqui e conceguiram entender o meu texto, Minha proposta é o porquê sendo armonisado em um como, porque a razão sem duvidas é um fundametalismo.

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